O papel dos núcleos baixos na interpretação de causalidade em português brasileiro: algumas notas sobre decomposição de eventos, f-seq e nanossintaxe

Autores

  • Thayse Letícia Ferreira Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Centro de Educação e Ciências Humanas, São Carlos – SP – Brasil https://orcid.org/0000-0003-0533-0618
  • Valdilena Rammé Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA). Foz do Iguaçu – PR – Brasil. Departamento de Linguística e Letras Modernas

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-1909-8

Palavras-chave:

Causativização, Decomposição de eventos, Classes acionais, Nanossintaxe, Hierarquia funcional do domínio verbal,

Resumo

Neste trabalho, investigamos o processo de causativização no português brasileiro, buscando compreender as restrições e generalizações que permitem explicar os dados aparentemente caóticos de nossa língua. Para tal, utilizamos o método hipotéticodedutivo e partimos da tese de que são elementos do domínio acional que determinam o comportamento dos verbos em relação à incidência de causalidade. Como consequência, apresentamos neste artigo uma revisão teórica das classes acionais, utilizando ferramentas de um modelo decomposicionista recente denominado Nanossintaxe (STARKE, 2009). Com isso, será possível entender as restrições mais rigorosas que as classes ‘estado’ e ‘accomplishment’, por exemplo, impõem para o fenômeno da causativização, levando em conta conceitos sintático-semânticos mais finos, como Iniciação, Processo, Resultado e Limite. Concluímos, deste modo, que para um predicado ser interpretado enquanto causativo faz-se necessário que o evento por ele denotado seja de natureza dinâmica. Além disso, demonstramos que a sequência funcional (f-seq) da forma como é proposta dentro do modelo nanossintático permite explicar a associação de mais de um nódulo sintático a um mesmo argumento verbal, assim como a sua desassociação e consequente identificação com um núcleo causativo nulo.

Biografia do Autor

Thayse Letícia Ferreira, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Centro de Educação e Ciências Humanas, São Carlos – SP – Brasil

Graduada em Letras - Português - pela Universidade Federal do Paraná (2014) e mestre em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (2017), onde, atualmente, desenvolve sua tese de doutorado sobre a nanossintaxe das preposições espaciais no PB. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase na interface sintaxe-semântica, atuando principalmente nos seguintes temas: aquisição de linguagem, semântica de eventos, preposições espaciais e nanossintaxe. 

Valdilena Rammé, Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA). Foz do Iguaçu – PR – Brasil. Departamento de Linguística e Letras Modernas

Professora da área de Letras e Linguística na Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA). Tem mestrado (2012) e doutorado (2017) em Estudos Linguísticos pela UFPR. Áreas de atuação e linhas teóricas: teoria linguística e análise gramatical, com trabalhos na interface Sintaxe-Semântica sobre nanossintaxe, estrutura conceitual, semântica lexical, semântica conceitual, mudança linguística, verbos de movimento e preposições espaciais; e linguística aplicada, investigando questões de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras (LE), metodologias e abordagens, desenvolvimento de material didático e ensino-aprendizagem-avaliação da expressão oral.

Publicado

16/09/2019

Edição

Seção

Artigos Originais