Um estudo sobre o emprego da vírgula na história do português europeu

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-e12560

Palavras-chave:

Vírgula, Português europeu, Português clássico, Gramática normativa, Prosódia, Sintaxe, Pontuação,

Resumo

No presente trabalho investiga-se o funcionamento da vírgula no português europeu nos séculos XVI ao XIX em dois tipos de construções: antes de oração completiva e após sujeito e adjunto não-oracional ou oração dependente em primeira posição. Para tanto, utilizou-se um corpus com 24 textos de autores nascidos entre os séculos XVI e XIX. Observou-se que, nos séculos XVI e XVII, a vírgula servia mais para auxiliar na organização e leitura do texto, indicando relações discursivas e prosódicas. No entanto, nos séculos XVIII e XIX, embora a vírgula continue a servir para indicar o papel discursivo do sintagma pré-verbal, especialmente nos casos com um sujeito pré-verbal, antes de oração completiva tal função se perdeu, pois os autores passaram a dar maior atenção à relação de complementaridade entre verbo e argumento, preferindo não separar os dois. Um possível fator que teria favorecido tal mudança parece ser o fato de, a partir da segunda metade do século XVIII, com a maior difusão do Iluminismo em Portugal, os gramáticos terem passado a se preocupar mais com a norma e a sintaxe do português, que levou o sistema de pontuação a ser mais baseado na função lógico-gramatical.

Publicado

26/10/2020

Edição

Seção

Artigos Originais