A dessimbolização do faroeste

Ciro Inácio Marcondes

Resumo


O faroeste é um gênero cinematográfico que sempre primou por dualidades bem claras, procurando distinguir a civilização e a selvageria através de arquétipos que cumprem funções bem estabelecidas no projeto civilizatório norte-americano. Rastros de Ódio, filme de John Ford de 1956, reinaugura a tradição do faroeste revertendo esses princípios e estabelecendo espaços simbólicos diferenciais a partir de motivos abstratos como o conflito, a fuga e a busca. Nessa nova configuração, o que se pensa dominante na verdade é dominado por um discurso velado, que fala através de um lócus anterior. Índios, cowboys, mestiços, mexicanos e outros se misturam em instâncias em que, pensando estar cultivando um determinado discurso, na verdade projetam a fala do outro. Este ventriloquismo étnico é o que desloca as verdadeiras fronteiras simbólicas com que esses personagens se deparam, exibindo uma América que se identifica pela negatividade.

Palavras-chave


pós-colonialismo; faroeste; John Ford; estudos culturais; teoria cinematográfica; post-colonialism; western; film theory; John Ford; cinematographic studies

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.21709/casa.v7i1.1771



E-ISSN: 1679-3404