“UM ESTADO ONDE NÃO PODE CHOVER MAIS”: MODALIZAÇÕES E POSTURAS ENUNCIATIVAS NO GERENCIAMENTO DISCURSIVO DAS ENCHENTES DE 2024 NO RIO GRANDE DO SUL

“A STATE WHERE IT CAN’T RAIN ANYMORE”: MODALIZATIONS AND ENUNCIATIVE STANCES IN THE DISCURSIVE MANAGEMENT OF THE 2024 FLOODS IN RIO GRANDE DO SUL

Autores

  • Cristina Zanella Rodrigues Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense - IFSul
  • Rodrigo Oliveira Fonseca Universidade Federal do Sul da Bahia, Centro de Formação em Ciências Humanas e Sociais. https://orcid.org/0000-0002-2503-3349

DOI:

https://doi.org/10.21709/casa.v18i2.20508

Resumo

O discurso que propõe “superar a falta de consciência ecológica” como propaganda de solução para graves problemas de desequilíbrio climático transformou-se e consolidou-se como um elemento fundamental no processo discursivo pela salvaguarda do meio ambiente, e vem sendo fortalecido por movimentos sociais, em ações estratégicas. Com base na Análise de Discurso de orientação pecheutiana, o objetivo deste trabalho é analisar a produção dos efeitos de sentido do discurso sobre o meio ambiente e o funcionamento do negacionismo quando efetivamente acontece um desequilíbrio que ocasiona uma tragédia climática. O corpus de análise constitui-se de publicações realizadas em páginas virtuais e redes sociais da Prefeitura de Pelotas/RS para comunicar-se com a população sobre as ações necessárias na situação de emergência climática sofrida pelos gaúchos em ocasião das enchentes de 2024. Um movimento adotado pela gestão municipal privilegiou as redes sociais promovendo lives diárias de atualização sobre informações, alertas e orientações. Os vídeos postados de início de maio até junho de 2024 estão registrados no perfil oficial do Facebook e do Instagram da Prefeitura de Pelotas. Nessas plataformas, através de comentários, a população respondia e avaliava as decisões da gestão, expunha e relatava as situações que lhes afetavam e pedia providências. Constitui-se, neste espaço virtual, uma forma de interação, norteada pelos algoritmos e termos de uso das referidas redes sociais, que trouxe à baila questões científicas, ambientais e até religiosas, atravessadas pelo discurso negacionista. O recorte aborda, especificamente, a relação entre a ciência como fundamento das decisões da gestão municipal e a resposta da população nos comentários.
Palavras-chave: Discurso. Meio-ambiente. Capitalismo. Negacionismo.

Biografia do Autor

Rodrigo Oliveira Fonseca, Universidade Federal do Sul da Bahia, Centro de Formação em Ciências Humanas e Sociais.

Professor e pesquisador em Análise do Discurso e História do Brasil, com doutorado em Letras pela UFRGS, mestrado em História pela PUC-Rio, bacharelado e licenciatura em História pela UERJ e graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UFF. Professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) desde 2015. Já foi professor substituto no Departamento de História da UFAM, professor celetista no curso de Comunicação do CIESA e nos cursos de História e Comunicação da UNINORTE, e professor-bolsista (Reuni) no curso de Letras da UFRGS. Em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens da UNEB, e com financiamento do CNPq e da FAPESB, desenvolveu projeto de pesquisa que resultou nas Jornadas Caminhos da Igualdade (2014 e 2016) e no livro A Conjuração Baiana e os desafios da igualdade no Brasil: História e Discurso (2016). 

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Publicado

15/12/2025

Edição

Seção

Dossiê “Vozes do Antropoceno”