O insólito recriado: “Le Horla” de Maupassant em linguagem HQ

Ana Luiza Ramazzina Ghirardi

Resumo


Malrieu (1992) indica que, no século XIX, o fantástico surge como visceralmente ligado à sensação difusa que a vida não pode ser explicada somente pela racionalidade científica. Se o fantástico tem raízes em um momento tão particular, como transportá-lo para o novo contexto do século XXI? Atualmente o fantástico é objeto de várias formas de re-significação e de releitura através de novas tecnologias. Esse artigo investiga a transposição midiática HQ, examinando os recursos que usa para capturar o suspense criado pelo texto monomodal e recriá-lo em uma linguagem que conjuga múltiplos modos: textual, visual, gestual, sonoro etc. (BOUTIN, 2012). A sequência de imagens HQ repropõe o texto primeiro, desvelando a polissemia do literário. Para ilustrar esse caminho de transposição de linguagens, examina-se a versão HQ Le Horla d’après l’oeuvre de Guy de Maupassant (SOREL, 2014) para entender a articulação que se materializa em uma nova narrativa provocando no leitor uma hesitação que o leva a se questionar se o “que o apavora é imaginário ou real” (CASTEX, 2004, p.274, tradução nossa).


Palavras-chave


Le Horla; Transposição midiática; Literatura; HQ; Multimodalidade;

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E-ISSN: 1981-7886
ISSN: 0101-3505