O sistema de focalização do romance Os moedeiros falsos, de André Gide
Mots-clés :
André Gide, Os Moedeiros Falsos, Focalização, Mise en abyme, LeitorRésumé
Um dos pontos de destaque do romance Os Moedeiros Falsos, de André Gide, é a reflexão constante sobre o ato de criação, intensificada, principalmente, pela presença de um personagem romancista que escreve um romance homônimo ao de seu criador. No entanto, diferentemente de Gide, Édouard realiza um romance inacabado; ele nunca o publicará, e nós, como leitores, nunca o leremos. Assim, em conjunto com as inúmeras defesas de Édouard e Gide em seus diários por um leitor ativo, o romance dá liberdade ao leitor para imaginar como seria a narrativa de Édouard e convida-o a completá-la. Esse convite também parece se impor pelo seu sistema de focalização que, ao mudar constantemente o ângulo de apresentação dos eventos, recusa-se a dar uma versão definitiva e acabada à intriga. Exploraremos esse sistema, levando em conta o procedimento da mise en abyme, o espelhamento dos projetos romanescos de Édouard e de seu criador André Gide, a focalização nos personagens, o discurso do narrador e a intriga. Por fim, a partir da discussão sobre os múltiplos pontos de vista de Os Moedeiros Falsos, refletiremos se essa liberdade concedida ao leitor, aparentemente tão ilimitada, é relativizada pelo próprio romance, que completa 100 anos de sua publicação.
Téléchargements
Publiée
Numéro
Rubrique
Licence
Os manuscritos aceitos e publicados são de propriedade da Revista Lettres Françaises. É vedada a submissão integral ou parcial do manuscrito a qualquer outro periódico. A responsabilidade do conteúdo dos artigos é exclusiva dos autores. É vedada a tradução para outro idioma sem a autorização escrita do Editor ouvida a Comissão Editorial.