ENTRE RUÍDOS E SENTIDOS: A PERDA AUDITIVA EM "ÁGUAS-VIVAS NÃO TÊM OUVIDOS"

BETWEEN NOISES AND MEANINGS: HEARING LOSS IN "ÁGUAS-VIVAS NÃO TÊM OUVIDOS"

Autores

  • Renan Salermo Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC)

DOI:

https://doi.org/10.21709/casa.v18i2.20483

Resumo

Este artigo propõe uma leitura semiótica do romance Águas-vivas não têm ouvidos, de Adèle Rosenfeld, fundamentada na teoria semiótica greimasiana, com o objetivo de investigar como a narrativa constrói a experiência da perda auditiva em uma dimensão estética e identitária. A partir da trajetória de Louise, narradora-protagonista surda oralizada em processo progressivo de perda auditiva, o estudo examina os limites da linguagem, da percepção e da significação. Para a análise, são mobilizados os conceitos do percurso gerativo de sentido (Barros, 2005; Fiorin, 2009) e suas articulações com a sociossemiótica (Landowski, 2002). Destaca-se como a linguagem do romance, ao incorporar falhas, ruídos e fragmentações, recria literariamente a vivência da incompreensão e da descontinuidade comunicativa, produzindo um efeito semissimbólico. Dessa forma, a obra não apenas tematiza a surdez, mas a transforma em matéria estética, apresentando uma fabulação poética do mundo diante da ausência da linguagem oral. A pesquisa, assim, contribui para a reflexão sobre os vínculos entre linguagem, identidade e literatura contemporânea.
Palavras-chave: Semiótica Discursiva. Águas-vivas não têm ouvidos. Perda auditiva.

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Publicado

15/12/2025

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