DECOLONIZANDO O ANTROPOCENO ATRAVÉS DA ARTE E RESISTÊNCIA NA ANIMAÇÃO BRASILEIRA "UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA" (2013)
DECOLONIZING THE ANTHROPOCENE THROUGH ART AND RESISTANCE IN THE BRAZILIAN ANIMATION "UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA" (2013)
Palavras-chave:
Education, Cinema, Anthropocene, ResistanceResumo
O presente artigo propõe uma reflexão decolonial sobre o conceito de Antropoceno, abordando-o para além de sua dimensão geológica ao perceber a terra em sua perspectiva social. Partindo das reflexões de Ailton Krenak (2019), o estudo questiona a visão eurocêntrica que fundamenta esse conceito, utilizando como corpus da análise a leitura crítica da animação audiovisual brasileira Uma História de Amor e Fúria (2013), de Luiz Bolognesi, cuja narrativa histórico-política possibilita tensionar as noções coloniais de humanidade, modernidade e crise ambiental, evidenciando como o que convencionou-se chamar de “Antropoceno” encobre desigualdades históricas e reproduz uma narrativa de poder excludente centrada em um sujeito universal. A partir de metodologia qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, e com base teórica em Vanoye e Goliot-Lété (1994), Krenak (2019), Quijano (2010), Mignolo (2017) e Morin (2000), investiga-se de que modo o Antropoceno, conceito de origem eurocêntrica, pode ser reinterpretado a partir de uma perspectiva decolonial ativa, conforme sugerem as reflexões de Ailton Krenak (2019) e a leitura crítica feita sobre a animação. Conclui-se que o Antropoceno, mais do que uma era geológica, constitui-se como uma narrativa política de poder articulada por uma lógica de exploração e exclusão. Nesse sentido, a animação de Bolognesi e o pensamento de Krenak convergem ao propor um chamado à resistência e à reimaginação do humano em relação à terra e à colonialidade, reafirmando a necessidade de “adiar o fim do mundo”. Reimaginar o Antropoceno sob esse prisma é, portanto, um gesto político e poético de descolonização do futuro.
Palavras-chave: Antropoceno. Resistência. Decolonial. Audiovisual.
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