A AGÊNCIA EM CHAMAS: SEMIÓTICA COGNITIVA E CRISE ECOLÓGICA NO DISCURSO SOBRE OS INCÊNDIOS
THE AGENCY IN FLAMES: COGNITIVE SEMIOTICS AND ECOLOGICAL CRISIS IN THE DISCOURSE ON FIRES
DOI:
https://doi.org/10.21709/casa.v18i2.20676Resumo
Este artigo apresenta uma análise semiótica, com base na semiótica cognitiva, tensiva e discursiva, do tratamento midiático dos incêndios que atingiram o interior do estado de São Paulo durante o verão de 2024, quando, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), houve um aumento de 225% nos focos de queimadas em relação ao ano anterior. Inserido no contexto do projeto de pesquisa Vozes do Antropoceno. Mapas e modelos para os conflitos ecológicos (VAMP), o estudo parte da hipótese de que as crises ecológicas são, antes de tudo, crises de sentido: manifestações de tensões cognitivas e culturais que colocam em questão categorias fundamentais da linguagem, como “natureza”, “cultura” e “agência”. A partir da análise de um corpus de notícias locais e nacionais, o artigo investiga como o discurso jornalístico constrói diferentes atribuições de causalidade e responsabilidade em torno do fogo, evidenciando as hesitações e contradições que emergem quando se tenta distinguir entre agentes humanos e não humanos. Argumenta-se que a narrativa midiática dos incêndios revela uma verdadeira crise cognitiva das categorias de causalidade e responsabilidade, refletindo a dificuldade contemporânea de assumir uma responsabilidade coletiva diante das transformações ambientais do Antropoceno.
Palavras-chave: Semiótica Cognitiva. Antropoceno. Discurso Midiático. Incêndios. Agência. Responsabilidade.
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