O RAPTO DE EUROPA: UMA COMPARAÇÃO ENTRE OVÍDIO E TICIANO

Márcio Thamos

Resumo


Nas Metamorfoses, o poeta romano Ovídio narra a fábula da transformação de Júpiter em touro a fim de seduzir a princesa fenícia Europa. Durante o período do Renascimento, como se sabe, a civilização ocidental promoveu uma intensa renovação de seus valores sob a clara influência da cultura greco-romana. Ovídio, cuja fama não cessara por toda a Idade Média, tornou-se então ainda mais conhecido, e especialmente seu poema das Metamorfoses transformou-se em admirável fonte de inspiração não só para a literatura mas também para as artes plásticas e sua nova concepção humanista. Assim, o episódio do rapto de Europa ganhou uma dramática expressão pictórica nas largas pinceladas do mestre veneziano Ticiano Vecellio, que no ápice da maturidade criativa interpretou vários mitos clássicos em suas telas. Entre os versos do antigo poeta latino e o quadro do renascentista italiano há muitas e evidentes relações. Nas Metamorfoses, o relato mítico é descrito em tantos detalhes e fixado numa poética tão expressiva, que Ticiano pôde tomar a narrativa de Ovídio como modelo para pintar “O rapto de Europa”, fazendo então um verdadeiro exercício de tradução intersemiótica ao interpretar signos verbais através de signos pictóricos.


Palavras-chave


“O rapto de Europa”; Poesia; Pintura; Metamorfoses; Ovídio; Ticiano.

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DOI: https://doi.org/10.21709/casa.v10i2.5595



E-ISSN: 1679-3404