Entre a releitura e a conversa
a arquitetura afetiva de Orgulho e Preconceito
DOI:
https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20739Palavras-chave:
Jane Austen, Affect Theory, Orgulho e Preconceito, ReconhecimentoResumo
Este artigo examina a “arquitetura afetiva” de Orgulho e Preconceito (1813), de Jane Austen, articulando como a formação do vínculo entre Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy se constrói por meio da circulação de afetos, da releitura e do reconhecimento mútuo. A partir de teorias do afeto, discute-se como primeiras impressões, emoções comunitárias e julgamentos compartilhados estruturam a economia emocional do romance e moldam a percepção de Elizabeth. A leitura da carta de Darcy marca um ponto de inflexão: ao ser “mortificada”, Elizabeth passa de leitora passiva das opiniões da comunidade a intérprete autônoma de caracteres e situações. O artigo também explora, com Susan J. Wolfson e Rita Felski, a centralidade estética da releitura, demonstrando como Austen encena, na dinâmica entre seus protagonistas, o próprio gesto interpretativo que exige de seu leitor. O reconhecimento, tanto entre personagens quanto entre leitor e texto, emerge como prática transformadora capaz de reconfigurar visões de mundo. Por fim, argumenta-se que o romance articula uma imaginação reformista sutil, na qual afetos e conversas deslocam hierarquias, abrindo espaço para relações que conciliam desejo, responsabilidade e reformulação das estruturas sociais.
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