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CHAMADAS ABERTAS - Nº 52, 2021

22/12/2020

 

LITERATURAS PÓS-COLONIAIS E FORMAS DO CONTEMPORÂNEO (RESUMO)

CONVOCATORIA (RESUMEN)

APPEL À CONTRIBUTION (RÉSUMÉ)

CALL FOR PAPERS (ABSTRACT)

Segundo Stuart Hall (2013, p.118), o termo pós-colonial chama nossa atenção “para o fato de que a colonização nunca foi algo externo às sociedades das metrópoles imperiais. Sempre esteve profundamente inscrita nelas – da mesma forma como se tornou indelevelmente inscrita nas culturas dos colonizados”. Nesse sentido, o conceito traz à tona uma inscrição múltipla de processos históricos na qual o binarismo cede espaço a uma reescrita descentrada das grandes narrativas, recusando uma perspectiva de um “antes” e um “agora”, de um “aqui” e um “lá”, em favor, como diz Homi K. Bhabha (1998, p. 46), “[d]o hibridismo cultural e histórico [....] como lugar paradigmático de partida”. Aliás, como famosamente ressalta Gayatri Chakravorty Spivak (2010), os estudos pós-coloniais procuram sempre interrogar os limites de categorias como sujeito, agência e voz para pensar em diversos setores sociais que estão precariamente ancorados nas grandes narrativas históricas, políticas e econômicas da modernidade e suas diversas periferias.
Assim, longe de se circunscrever em uma periodização histórica fixa – ou naquilo que Ella Shohat (1992) nomeia de “temporalidade problemática” –, os estudos pós-coloniais procuram reorganizar períodos históricos, geografias hegemônicas e dispositivos de poder de modo a questionar a supremacia de certos paradigmas epistemológicos. Portanto, como todo pensamento crítico sobre os tempos, os espaços e os imaginários que co-habitamos, as formas do contemporâneo também fazem parte do material que o olhar pós-colonial busca revisar e teorizar. É o que, de fato, propõe Dipesh Chakrabarty (2012, p. 1) com relação ao debate sobre o antropoceno quando diz que “a conjuntura atual da globalização e o aquecimento global apresenta-nos o desafio de ter que pensar a agência humana simultaneamente segundo escalas múltiplas e incomensuráveis”.
O número 52 de Itinerários - Revista de Literatura acolherá artigos que tratem das relações entre a literatura e o pensamento pós-colonial, tendo em vista suas formas de transculturação, de heterogeneidade, de tradução cultural e de deslocamentos, tentando sempre elaborar novas formas de teorizar as nossas temporalidades preferencialmente a partir daquilo que constitui as diferenças de raça, de classe, de gênero, de orientação sexual.

Organizadores do volume:

Mónica González García (Pontificia Universidad Católica de Valparaíso, Chile)
Natali Fabiana da Costa e Silva (Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, Brasil)
Paulo César Andrade da Silva (Universidade Estadual Paulista – UNESP, Brasil)

Envio de originais até: 26/02/2021

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Edição Atual

n. 51, 2020

Nesta nossa época de irrestrito triunfo tecno-digital e emergência climática, surgem legítimas e urgentes preocupações com a preservação da floresta, ameaçada por interesses vários. A tal ponto que um dos assuntos atualmente mais discutidos à escala planetária é precisamente a defesa do pulmão florestal da terra – a Amazónia. 

A floresta não se restringe, evidentemente, à componente puramente ambiental e biológica. Como nos mostra Richard Pogue Harrison em Forests: The Shadow of Civilization, a floresta tem, de igual modo, sido ao longo dos séculos o espaço-chave de um imaginário extraordinário. Agora, em pleno século XXI, dominado cada vez mais pela Razão tecnológica e cada vez menos por consensos morais, tudo indica que a floresta se converteu no lugar de todas as preocupações. Dir-se-ia o último ponto de abrigo capaz de nos salvaguardar de uma catástrofe com proporções cataclísmicas. A floresta, numa palavra, adquire cada vez mais o valor de santuário. Um santuário frágil e à mercê da expansão radical da crise ecológica.

Em suma, hoje, quando pesadas ameaças pairam sobre os espaços florestais, pondo em perigo os seus ecossistemas e os seus habitantes, sejam eles trabalhadores indígenas ou populações rurais, torna-se, mais do que nunca, necessário repensá-la sob pontos de vista múltiplos, inovadores e interdisciplinares. Assim, o número 51 da revista Itinerários, em sintonia com perspetivas ecocríticas, pretende acolher para publicação textos focados na temática florestal e, mais latamente, as relações entre literatura e ambiente.  

Publicado: 12/02/2021

Edição completa

Apresentação

  • Apresentação

    André Corrêa de Sá, Brunno Vinicius Gonçalves Vieira, Sérgio Paulo Guimarães de Sousa
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