Edições anteriores
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Flores para Virginia Woolf: o centenário de Mrs. Dalloway
v. 1 n. 61 (2025)A década de 2020 foi marcada por um período de grandes transformações, como a pandemia, que teve um grande impacto global, afetando a todos de maneira profunda, levando-nos a uma reflexão sobre nosso presente e sobre suas conexões com a literatura do século XX. Nesse momento nossa atenção está voltada aos textos woolfianos que completam um centenário, especialmente Mrs. Dalloway. A partir de 2022, com Jacob’s Room, completaram-se cem anos desse texto experimental de Virginia Woolf, que celebra o modernismo juntamente com The Waste Land, de T. S. Eliot, e Ulysses, de James Joyce. Em relação aos ensaios, em 1922, Woolf escreveu cinco ensaios que poderíamos destacar “Dostoevsky the Father” e “Jane Austen Practising”, dois autores fundamentais, sobre os quais Woolf escreveu durante toda a sua vida. Em 1923, dentre os ensaios mais importantes, devem ser enfatizados os ensaios “Mr Bennet and Mrs Brown” e “How It Strikes a Contemporary”, textos em que Woolf reflete sobre a ficção moderna e como ela se delineava diante de seus olhos. Já em 1924, Woolf escreveu aproximadamente 42 ensaios, dos quais seria difícil destacar apenas dois ou três, mas, ainda assim, devem ser enfatizados os ensaios “Montaigne” e “The Lives of the Obscure” sobre a vida obscura de mulheres escritoras ausentes da história, o que mais tarde daria origem à sua personagem mais emblemática: Judith Shakespeare em A Room of One’s Own. Pensando nesses textos centenários e em como eles ainda impactam a literatura, a crítica e o pensamento contemporâneos, a seguinte proposta convida trabalhos que possam refletir sobre Mrs. Dalloway e a intermidialidade, em um diálogo entre as mais diversas artes; Mrs. Dalloway e a crítica feminista; Mrs. Dalloway e o ecofeminismo; Mrs. Dalloway e os estudos da Tradução; Mrs. Dalloway e os estudos de gênero/queer, etc. Enfim, propõe-se neste dossiê uma discussão acerca de Mrs. Dalloway em diálogo com o modernismo, pós-modernismo, pós(de)colonialidade e o mundo pós-pandêmico. E, também, como uma forma de celebração, este dossiê aceitará artigos sobre outras obras de Virginia Woolf em contato com outras mídias e outras artes.
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AFETOS, DIÁLOGOS E RESILIÊNCIAS: A literatura portuguesa e as literaturas de língua portuguesa no mundo pós-pandemia
n. 58 (2024)Dossiê temático dedicado ao XXIX Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa (ABRAPLIP) realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) entre 25 a 29 de setembro de 2023. Publicam-se textos selecionados apresentados em conferências, plenárias e semiplenárias.
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AFETOS, DIÁLOGOS E RESILIÊNCIAS: A literatura portuguesa e as literaturas de língua portuguesa no mundo pós-pandemia
n. 57 (2023)Dossiê temático dedicado ao XXIX Congresso Internacional da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa (ABRAPLIP) realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) entre 25 a 29 de setembro de 2023. Publicam-se textos selecionados apresentados em conferências, plenárias e semiplenárias.
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Literaturas de expressão feminina: além do tempo e do espaço
n. 55 (2022)Nos últimos anos, como reflexo das questões mundiais contemporâneas que levantaram movimentos feministas como o Me too, percebeu-se também no cenário acadêmico um maior interesse pela literatura de expressão feminina. Com a pandemia, a literatura escrita por mulheres ganhou espaço para além da academia, pois é notável o número de clubes do livro, páginas nas redes sociais e influenciadores digitais dedicados à leitura e à discussão tanto de obras de autoras de clássicos da literatura universal, como de autoras contemporâneas brasileiras ou estrangeiras.
A começar pelo trabalho fundamental de Mary Wollstonecraft com seu revolucionário A Vindication of the Rights of Woman de 1794, que influenciou todo o pensamento do século XIX, além do pioneirismo de Jane Austen, que dentre tantas outras questões, colocou em xeque a condição da mulher naquela sociedade que adentrava o capitalismo agrário, tendo como única possibilidade de sobrevivência a dependência de um casamento bem sucedido, passando por outras grandes escritoras como as irmãs Brontë, Mary Shelley, George Eliot, Elizabeth Gaskell, Emily Dickinson, Louisa May Alcott, o século XIX consolida-se como momento inaugural e potente no que se refere à literatura de autoria feminina. Já o século XX traz novas ondas do feminismo, vozes imperativas como a de Virginia Woolf reivindicando Um teto todo seu (1929) para a mulher moderna, ao mesmo tempo que questiona a tradição literária feminina e a ausência de escritoras ao longo dos anos do cânone ocidental.
O presente dossiê tem como objetivo propor uma reflexão sobre as bases da literatura de expressão feminina, a partir do século XIX, passando pelo século XX, e sobre a sua importância na história da literatura, até chegar nas discussões contemporâneas que envolvem um debate interseccional de gênero, raça e classe.
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n. 51, 2020
Nesta nossa época de irrestrito triunfo tecno-digital e emergência climática, surgem legítimas e urgentes preocupações com a preservação da floresta, ameaçada por interesses vários. A tal ponto que um dos assuntos atualmente mais discutidos à escala planetária é precisamente a defesa do pulmão florestal da terra – a Amazónia.
A floresta não se restringe, evidentemente, à componente puramente ambiental e biológica. Como nos mostra Richard Pogue Harrison em Forests: The Shadow of Civilization, a floresta tem, de igual modo, sido ao longo dos séculos o espaço-chave de um imaginário extraordinário. Agora, em pleno século XXI, dominado cada vez mais pela Razão tecnológica e cada vez menos por consensos morais, tudo indica que a floresta se converteu no lugar de todas as preocupações. Dir-se-ia o último ponto de abrigo capaz de nos salvaguardar de uma catástrofe com proporções cataclísmicas. A floresta, numa palavra, adquire cada vez mais o valor de santuário. Um santuário frágil e à mercê da expansão radical da crise ecológica.
Em suma, hoje, quando pesadas ameaças pairam sobre os espaços florestais, pondo em perigo os seus ecossistemas e os seus habitantes, sejam eles trabalhadores indígenas ou populações rurais, torna-se, mais do que nunca, necessário repensá-la sob pontos de vista múltiplos, inovadores e interdisciplinares. Assim, o número 51 da revista Itinerários, em sintonia com perspetivas ecocríticas, pretende acolher para publicação textos focados na temática florestal e, mais latamente, as relações entre literatura e ambiente.