Os (des)caminhos da mais recente adaptação do romance Persuasão, de Jane Austen

as fronteiras entre literatura e cinema e a angústia da fidelidade

Autores

  • Munike Martins Bonet UERJ

DOI:

https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20852

Palavras-chave:

Persuasão, Jane Austen, Intermidialidade, Literatura, Cinema

Resumo

Este artigo analisa a mais recente adaptação cinematográfica do romance Persuasão (1818), de Jane Austen, dirigida por Carrie Cracknell, lançada pela Netflix em 2022, a partir de uma abordagem comparativista fundamentada nos estudos contemporâneos de adaptação e intermidialidade. À luz dos debates em torno da fidelidade, discute-se a recorrente tendência de hierarquização entre literatura e cinema e a expectativa de submissão da narrativa fílmica ao texto-fonte, sobretudo quando se trata de obras canônicas como as de Jane Austen. Com base nas contribuições teóricas de autores como Robert Stam (2005, 2006, 2008), Irina Rajewski (2012), Linda Hutcheon (2013) e Maria Cristina Cardoso Ribas (2014), este texto propõe-se a observar a adaptação como processo de negociação intertextual e de ressignificação estética e ideológica. A análise concentra-se nas escolhas narrativas e formais do filme, como a quebra da quarta parede, a narração em primeira pessoa e a atualização da linguagem, bem como nas tensões entre leitores tradicionais de Austen, crítica especializada e público contemporâneo. Argumento que a adaptação de Cracknell estabelece um diálogo complexo com o mosaico midiático atual e evidencia como releituras cinematográficas podem dizer algo sobre o presente tanto quanto sobre o texto literário que as inspira. Nesse sentido, novas adaptações reacendem debates sobre textos considerados canônicos, embora possam gerar dissonâncias interpretativas.

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Publicado

29/07/2026

Edição

Seção

Jane Austen: 250 anos de seu legado