O outro e o tempo
a construção borgesiana do duplo e a desautorização do eu
Palavras-chave:
Borges, Identidade narrativa, Metalinguagem, Tempo, DuplicaçãoResumo
Este artigo propõe uma leitura filosófico-literária do conto O Outro, de Jorge Luis Borges, à luz da noção de identidade narrativa, metalinguagem e tempo não linear. Argumenta-se que o conto realiza uma desconstrução do eu e da memória, por meio do encontro paradoxal entre duas versões do mesmo sujeito. Com base em autores como Ricoeur, Foucault, Barthes, Blanchot e Agamben, o texto busca demonstrar como Borges encena a impossibilidade do retorno ao “mesmo” e propõe uma ética da duplicação. O conto é lido como um gesto radical de ruptura com as categorias clássicas de identidade, tempo e narração, instaurando uma poética do inacabado e uma metafísica da linguagem.
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