O outro e o tempo

a construção borgesiana do duplo e a desautorização do eu

Autores

Palavras-chave:

Borges, Identidade narrativa, Metalinguagem, Tempo, Duplicação

Resumo

Este artigo propõe uma leitura filosófico-literária do conto O Outro, de Jorge Luis Borges, à luz da noção de identidade narrativa, metalinguagem e tempo não linear. Argumenta-se que o conto realiza uma desconstrução do eu e da memória, por meio do encontro paradoxal entre duas versões do mesmo sujeito. Com base em autores como Ricoeur, Foucault, Barthes, Blanchot e Agamben, o texto busca demonstrar como Borges encena a impossibilidade do retorno ao “mesmo” e propõe uma ética da duplicação. O conto é lido como um gesto radical de ruptura com as categorias clássicas de identidade, tempo e narração, instaurando uma poética do inacabado e uma metafísica da linguagem.

Biografia do Autor

Lara Passini Vaz-Tostes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Belo Horizonte – MG – Brasil. Pós-graduanda em Filosofia e Teoria do Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

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Publicado

28/12/2025

Como Citar

Vaz-Tostes, L. P. (2025). O outro e o tempo: a construção borgesiana do duplo e a desautorização do eu. Revista De Letras, 64, e025016. Recuperado de https://periodicos.fclar.unesp.br/letras/article/view/20319