Uma revisitação do 25 de Abril em Os Memoráveis de Lídia Jorge
Palavras-chave:
Os Memoráveis, 25 de Abril, Ficção histórica, Memória, Lídia JorgeResumo
Este estudo propõe uma análise do romance Os Memoráveis, de Lídia Jorge, obra que revisita o 25 de Abril de 1974, articulando memória, desencanto e o percurso democrático português. A narrativa estrutura-se em torno de uma equipa de reportagem que entrevista nove intervenientes da revolução, identificados a partir de uma fotografia tirada no restaurante Memories. A autora entrelaça diferentes vozes — dos “memoráveis” e da jornalista-narradora — evidenciando como um acontecimento histórico se inscreve nas subjetividades de várias gerações. O romance situa-se num entrelugar entre a ficção e o documento, ao incorporar géneros como a entrevista e o testemunho, desafiando os limites do romance histórico tradicional. A análise, de natureza descritiva e orientada pelo método hermenêutico, visa compreender como a narrativa opera uma reescrita da história, questionando as formas de representação do passado e a relação entre memória e identidade. A obra, marcada por um olhar crítico sobre os ideais revolucionários e suas consequências, constitui-se como uma reflexão sobre a persistência da história no presente e um exercício contra o esquecimento.
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