Automação e trabalho: Marx igual a Adam Smith?

Benedito Rodrigues de Moraes Neto

Resumo


Os requerimentos de qualificação para o trabalho nos modernos sistemas produtivos automatizados sob base microeletrônica podem ser tomados como negação da colocação marxista de crescente desqualificação do trabalho ao longo do desenvolvimento tecnológico. Procura-se neste trabalho fazer uma crítica a essa visão, através de uma busca ao conceito de desqualificação do trabalho em Marx. Ao realizar essa busca, e ao trazer a reflexão para o momento presente, chega-se à proposição de que o que se observa na fábrica moderna, ou seja, a radicalização da prescindibilidade do trabalho vivo imediato, é na verdade um reflexo da desqualificação desse trabalho sob o conceito de Marx. A concepção mais usual de desqualificação, atribuída erroneamente a Marx, é, na realidade, de caráter smithiano. Sob esse prisma, é feita uma análise crítica de Trabalho e capital monopolista, de Braverman, que passou a ser visto como a interpretação por excelência das idéias de Marx sobre o tema. Toda a responsabilidade pelo equívoco teórico de equiparar as análises de Marx e Smith sobre tecnologia e trabalho deve ser atribuída à incorreta compreensão da natureza do taylorismo-fordismo. Propõe-se aqui que o desenvolvimento tecnológico recente colocou fim ao equívoco da equiparação Marx-Smith, e forneceu grande atualidade à análise de Marx.

Palavras-chave


Automação; Desqualificação do trabalho; Divisão do trabalho; Smith-Marx-Braverman; Automação de base microeletrônica

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DOI: https://doi.org/10.32760/1984-1736/REDD/2009.v1i2.1724

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