A INTERSEMIOSE TEXTO-HISTÓRIA-CINEMA NA MINISSÉRIE ROMA DA HBO

João Batista Toledo Prado

Resumo


Entre agosto de 2005 e março de 2007, foram exibidas as duas temporadas da premiadíssima minissérie ROMA, com 12 e 10 episódios respectivamente, no canal de TV por assinatura da Home Box Office (HBO). Com história assinada por vários roteiristas e diretores, co-produção da própria HBO (EUA) e BBC (Reino Unido), com apoio da RAI (Itália), e filmada em múltiplas locações, mas principalmente nos estúdios cinematográficos de Cinecittà, em Roma, célebres por terem sido sede também da obra de Federico Fellini, a minissérie retrata, na primeira temporada, a conquista das Gálias, empreendida pelo gênio militar de Caio Júlio César, e a trajetória política que o fez acumular poder de tal forma a dividir os cidadãos romanos em duas facções, uma que o apoiava, outra que o combatia, centrada sobretudo na figura do general Cneu Pompeu Magno; a segunda temporada mostra o período da guerra civil que sucedeu ao assassinato de César, com a ascensão ao poder de seu sobrinho, filho adotivo e único herdeiro, Caio Otávio Augusto, após ter sobrepujado seus rivais bem como seus aliados no triunvirato que se havia formado para perseguir e punir os assassinos de César. Tais fatos são sobejamente conhecidos e povoam a mente e a imaginação de todos os minimamente escolarizados. Assim mesmo, a série da HBO inovou não apenas pelo talento de roteiristas, diretores e atores, nem somente pelos efeitos visuais, locações, vivacidade e grandiosidade das cenas históricas – afinal, “filmes de época” em geral fazem o mesmo – mas também pela (re)construção de eventos históricos a partir da ótica de uma dupla de protagonistas dos quais pouco se conhece: os centuriões Tito Pullo (ou Pulão) e Lúcio Voreno, únicos soldados nomeados por César na obra Comentários sobre a Guerra das Gálias (Commentarii de Bello Gallico V.44). Por isso, a ficcionalização dos eventos levou em conta também diversos dados de civilização romana dispersos em obras historiográficas e que fazem parte do conhecimento moderno de cultura material, resultando num seriado de TV com estética fílmica de rara beleza e criatividade. A partir do levantamento de dados textuais, históricos e culturais reunidos na recriação fílmica do seriado, bem como da distância que caracteriza o espaço criativo na dimensão do intervalo entre eles, este trabalho objetiva salientar dois momentos privilegiados das estratégias visual e narrativa do seriado: a sequência dos créditos de abertura e as cenas finais da primeira temporada de Roma da HBO.


Palavras-chave


Relações Intersemióticas; Seriado Roma (HBO); De Bello Gallico; Cultura Material; Sequências de abertura e final.

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DOI: https://doi.org/10.21709/casa.v10i2.5594



E-ISSN: 1679-3404