Neoliberalização e imprensa

enquadramentos sobre as contrarreformas no regime de uma ponte para o futuro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.52780/res.v30i3.20202

Palavras-chave:

Imprensa, Neoliberalismo, Hegemonia, Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência

Resumo

Este artigo analisa o papel da imprensa brasileira no processo de neoliberalização durante a hegemonia do regime de “Uma Ponte para o Futuro”, com foco na legitimação das reformas trabalhista (2017) e previdenciária (2019). Investiga-se de que maneira os principais jornais do país — Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo — atuaram como aparelhos hegemônicos na construção de consensos favoráveis às contrarreformas. Por meio da análise dos enquadramentos e das vozes consultadas como fontes de autoridade discursiva, o estudo evidencia a parcialidade de segmentos importantes da imprensa na consolidação de uma agenda neoliberal centrada na austeridade e na flexibilização de direitos. Argumenta-se que os segmentos da imprensa estudados contribuíram para a naturalização das reformas e para a desmobilização de resistências sociais, exercendo o seu papel na sustentação no projeto neoliberal hegemônico no Brasil contemporâneo.

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Biografia do Autor

Diego Fraga, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutor em Sociologia e Antropologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Publicado

28/12/2025

Como Citar

FRAGA, D. Neoliberalização e imprensa: enquadramentos sobre as contrarreformas no regime de uma ponte para o futuro. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 30, n. 3, p. 1173–1196, 2025. DOI: 10.52780/res.v30i3.20202. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/estudos/article/view/20202. Acesso em: 3 fev. 2026.