Biografando Jane Austen

narrativas sentimentais, revisionistas e mercadológicas

Autores/as

  • Martha Julia Martins UFPR - Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20848

Palabras clave:

Jane Austen, Biografias, Escrita feminina

Resumen

A popularidade de Jane Austen é incontestável e segue impulsionada pela venda de diversos produtos culturais ligados à sua imagem, tais como edições de luxo de suas principais obras e as adaptações de seus livros para as telas. Nesta direção, estão as biografias da autora que resgatam sua memória e nutrem a curiosidade de seus leitores. Destacam-se as biografias convencionais que versam sobre sua vida e obra e as biografias não convencionais, que entrelaçam Jane Austen a interesses diversos, tais como jardinagem e moda. Para a presente pesquisa, foram identificadas três linhas de tradição biográfica, uma de caráter sentimental ou familiar, ligada às memórias da família e interlocutores mais próximos, que resgata sua história e busca preservar uma imagem doméstica, neutralizando aspectos importantes da sua personalidade; uma segunda abordagem, de caráter mais revisionista, contextualiza Jane Austen como um sujeito histórico marcado por experiências, destacando seu interesse pela escrita; a terceira abordagem, marcada por uma lógica de branding e de exaltação do self, típicas de uma sociedade capitalista neoliberal, aproxima-se do público contemporâneo ao utilizar quadros históricos e culturais mais amplos que nuançam a autora, ao mesmo tempo em que abre espaço para especulações sobre sua vida. A pesquisa buscou compreender a popularidade da autora, entendendo Jane Austen como um produto cultural de consumo. A investigação parte de teorias sobre escrita biográfica e escrita feminina (Wagner-Martin, 1994; Gilbert; Gubar, 2020; Heilbrun, 2008, Showalter, 2009), além de um viés mais contemporâneo de gênero e da crítica literária feminista.

Publicado

29/07/2026

Número

Sección

Jane Austen: 250 anos de seu legado