L de lésbica ou de lady?
uma leitura diferente de Lady Susan, de jane austen
DOI :
https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20834Mots-clés :
Lady Susan, Jane Austen, Continuum lésbico, Ideologia da domesticidadeRésumé
Compreendendo uma interseção da crítica feminista e dos estudos queer, este trabalho oferece uma leitura de Lady Susan, de Jane Austen, com ênfase na questão da invisibilidade lésbica. Como uma obra da juventude de Austen, Lady Susan não tem recebido muita atenção crítica em língua portuguesa e muito menos atenção tem sido dispensada à sexualidade da protagonista, comumente tratada como uma mulher heterossexual. Partindo de discussões sobre a tradição do romance (Vasconcelos, 2002, 2007; Kettle, 1972) e do problema da (in)visibilidade lésbica (Faderman, 1981; Castle, 2001), esta análise literária se apropria do conceito de continuum lésbico (Rich, 2020) como recurso para compreender a relação entre Lady Susan e sua amiga Alicia Johnson, no final do século XVIII, especialmente em diálogo com problemas da ideologia da domesticidade (Vasconcelos, 2007). Ao final, conclui-se que a obra epistolar de Austen encerra não com uma carta, mas sim com um epílogo como formalização da invisibilidade lésbica do final do século XVIII.
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