Para além da paródia
o gótico como metodologia narrativa em A abadia de Northanger
DOI:
https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20824Palavras-chave:
Gótico, Metodologia narrativa, A Abadia de Northanger, ParódiaResumo
Este artigo propõe que A abadia de Northanger (1818), de Jane Austen, não se limita a utilizar o gótico como mero objeto de paródia, mas o aborda como uma metodologia narrativa. O estudo tem como objetivo analisar de que maneira Austen mobiliza estruturas e expectativas góticas para articular uma crítica à autoridade patriarcal. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa e bibliográfica, baseada na leitura atenta do romance e no diálogo com estudos críticos sobre a estética gótica (Botting, 2005), sobre a paródia (Hutcheon, 2000) e “arteficções” (Lim, 2017). A partir dessa perspectiva, o engajamento do romance com as convenções góticas produz circulações interpretativas em diferentes níveis: nos planos narrativo, sociopolítico e geográfico, bem como na própria autorreflexividade do romance enquanto gênero. Tal engajamento evidencia o fazer literário de Austen tanto como escritora como leitora, revelando sua familiaridade com os tropos góticos e com o comentário crítico inscrito nessa tradição. Em última análise, A abadia de Northanger não apenas ri do gótico, mas ri de dentro dele ao montar e desmontar uma sequência de acontecimentos e mal-entendidos que expõem não as limitações da poética gótica, mas os mecanismos do patriarcado.
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