“Sense will always have its attractions for me”
o bom senso feminino em razão e sensibilidade
DOI:
https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20827Palavras-chave:
Bom senso feminino, Razão e sensibilidade, Iluminismo britânico, Progresso, Consciência históricaResumo
Este artigo investiga a construção da noção de bom senso feminino no romance Razão e sensibilidade, de Jane Austen, a partir da conduta consciente de Elinor Dashwood em comparação com a de sua irmã Marianne. Destaco na obra de Austen os pontos de divergência ideológica entre o Iluminismo britânico e as Lumières francesas, e o modo como o bom senso britânico articula os conceitos de razão e de simpatia. Parto da construção de uma concepção de futuro moderna baseada na ideia de “progresso”, aliada à noção setecentista de um “tempo feminino” cíclico, para compreender as críticas anti-jacobinas e antirromânticas de Austen tanto ao culto da razão quanto ao culto à sensibilidade. Defendo que Austen retrata a virtude da prudência, ou bom senso, como sistema autoprotetivo para mulheres, inspirando a preservação das tradições não como legitimação de verdades absolutas, e, sim, como estratégia de sobrevivência moral diante do aprisionamento ao papel feminino de reprodução da vida e do tempo histórico dos homens.
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