Entre o ser e o parecer

Lady Susan e a configuração narrativa da mulher imprópria no século XVIII

Autores

  • Milene de Almeida Silva Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP)
  • Solange Peixe Pinheiro de Carvalho Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP)

DOI:

https://doi.org/10.58943/irl.v1i62.20837

Palavras-chave:

Lady Susan, Jane Austen, Semiótica, Identidade Feminina, Formas de Vida

Resumo

Este artigo examina a configuração identitária de Lady Susan, protagonista do romance epistolar de Jane Austen, à luz da Semiótica francesa e da teoria da identidade narrativa de Paul Ricoeur. A partir da análise discursiva proposta na dissertação A identidade feminina interior e exterior de Lady Susan (Silva, 2021), o estudo evidencia como a protagonista se constrói na tensão dialética entre as instâncias do ser e parecer. Ao operar as categorias do quadrado da veridicção (Greimas; Courtés, 1979), Lady Susan instaura um estilo existencial — ou forma de vida — que rompe deliberadamente com as normatividades de gênero vigentes na sociedade inglesa setecentista. Com um idem sustentado pela nobreza, beleza e eloquência, e um ipse orientado pelo desejo de autodeterminação (Ricoeur, 2006), Lady Susan constrói uma narrativa de si que combina manipulação discursiva e autonomia interna. Suas estratégias epistolares revelam tanto a consciência dos mecanismos sociais que regulam o feminino quanto sua habilidade em subvertê-los, aproximando a personagem dos debates sobre poder, corpo e normatividade formulados por Michel Foucault (1978, 1985, 1986), Simone de Beauvoir (1970) e Virginia Woolf (1942). Ao reposicionar Lady Susan como figura anti-heroica e impropriamente feminina para sua época, o estudo evidencia como o romance instaura uma crítica implícita às coerções de gênero, expandindo as possibilidades interpretativas sobre feminilidade, agência e performatividade na obra de Austen.

Downloads

Publicado

29/07/2026

Edição

Seção

Jane Austen: 250 anos de seu legado