Autoria de mulheres oitocentistas no pensamento social latino-americano

a imprensa como estratégia de autorrepresentação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29373/sas.v14i00.19862

Palavras-chave:

Androcentrismo, Imprensa oitocentista, A Família, A Mensageira

Resumo

Abordamos a contribuição de A Família e de A Mensageira, fundadas respectivamente por Josephina Álvares de Azevedo e Presciliana Duarte de Almeida, para a emancipação das brasileiras oitocentistas. Para compreender as temáticas abordadas nesse jornal e revista utilizamos a revisão bibliográfica e a análise de conteúdo e os conceitos de imprensa oitocentista, mulheres, pensamento social latino-americano e androcentrismo. Os achados da pesquisa indicam que ambas as mídias foram fundamentais na defesa dos direitos das mulheres, especialmente no que tange à educação, compreendida como um meio essencial para a emancipação das mulheres. Não apenas desafiaram as normas patriarcais da época, mas também contribuíram para a formação de uma consciência crítica entre as mulheres, evidenciando a relevância da imprensa como espaço de luta e autorrepresentação.

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Biografia do Autor

Elizabeth Ruano-Ibarra, Universidade de Brasília

Graduanda em Serviço Social na Universidade de Brasília (UnB). Pesquisadora de Iniciação Científica e bolsista PROIC CNPQ.

Mariana Cruz-Benigno, Universidade de Brasília

Doutora em Ciências Sociais. Professora visitante do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) da Universidade de Brasília (UnB). Pesquisadora do CNPq (PQ2).

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Publicado

29/12/2025

Como Citar

RUANO-IBARRA, E.; CRUZ-BENIGNO, M. Autoria de mulheres oitocentistas no pensamento social latino-americano: a imprensa como estratégia de autorrepresentação. Revista Sem Aspas , Araraquara, v. 14, n. 00, p. e025006, 2025. DOI: 10.29373/sas.v14i00.19862. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/semaspas/article/view/19862. Acesso em: 9 jan. 2026.