A construção de uma nação: entre a conservação e a mudança no século XX brasileiro

Laura Gabrieli Pereira da Silva, Fabricio Henrique de Oliveira

Resumo


Este artigo visa estudar a contradição entre as teorias racialistas do final do século XIX e o anseio da década de 30 em construir um Estado-Nação moderno e com o desenvolvimento capitalista autônomo. Em outras palavras, o presente trabalho analisará as dificuldades de pensar o Estado moderno em um país que havia sido impregnado por teorias racialistas que não só condenavam a possibilidade do desenvolvimento como também versavam especificamente sobre a população brasileira. A fim de elucidar essa reflexão, recorremos à literatura, em especial ao livro O Cortiço (1890) de Aluísio Azevedo, onde a construção de duas personagens negras demonstra como as teorias racialistas se difundiram em vários campos do conhecimento: Bertoleza, mulher negra escravizada, e Rita Baiana, estereótipo da mulata sensual. Recorremos também a autores como Raimundo Nina Rodrigues, Gilberto Freyre, Florestan Fernandes e Carolina de Jesus.

Palavras-chave


Teorias racialistas; Estado-nação; Literatura; Modernização; Miscigenação.

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DOI: https://doi.org/10.29373/sas.v7i2.11897



 

 

Rev. Sem Aspas, Araraquara, SP, Brasil, e-ISSN  2358-4238

DOI Prefix: 10.29373/semaspas

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