O neoconservadorismo religioso e heteronormatividade: a “bolsonarização” como produção de sentido e mobilização de afetos

Autores

  • Elizabeth Christina de Andrade Lima Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campina Grande – PB – Brasil. Professora Titular de Antropologia. Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza – CE – Brasil. Doutora em Sociologia. https://orcid.org/0000-0003-3072-3624
  • Isabelly Cristiany Chaves Lima Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campina Grande – PB – Brasil. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. https://orcid.org/0000-0002-9787-7604

DOI:

https://doi.org/10.47284/2359-2419.2020.28.325350

Palavras-chave:

Neoconservadorismo, Bolsonarização, Heteronormatividade, Produção de sentidos e de afetos,

Resumo

O artigo analisa a construção de narrativas antes e durante a campanha eleitoral para presidente da República do Brasil, em 2018. Tendo como protagonista o agora eleito Presidente Jair Messias Bolsonaro, observamos que sua narrativa é marcada pelos discursos de medo e de ódio dirigidos a todos aqueles que, na sociedade, antagonizam com a sua maneira, e de seus apoiadores, para pensar o papel da família, da propriedade e do Estado. Consideramos que tais narrativas ajudaram a construir a sua imagem pública para conseguir a aderência de uma considerável parcela da sociedade que, doravante, orgulha-se em se identificar como de direita, conservadora, favorável à família, à moral e aos bons costumes.

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Publicado

17/09/2020