“Eles querem quebrar a mesa”: terrorismo e diálogo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47284/2359-2419.2020.28.309323

Palavras-chave:

Terrorismo, Violência, Racialidade, Outro racial,

Resumo

Este artigo se propõe a discutir a figura do novo terrorista enquanto uma construção política e epistêmica que se fundamenta sobre a produção histórica do Outro racial e serve de veículo à sua manutenção. Partindo de alguns fundamentos característicos à abordagem teórica em torno do conceito de novo terrorismo, discuto como a apreensão epistêmica racializada de determinadas ações violentas, ao confina-las na categoria contemporânea de terrorismo, extirpa-as de sua inteligibilidade e impede a priori a consideração de seu caráter dialógico.

Biografia do Autor

Mariana dos Santos Faciulli, Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo – SP – Brasil.

Mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da FFLCH-USP. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Publicado

17/09/2020