Crises econômicas, ascensão da extrema direita e a relativização dos direitos humanos

Autores

  • Alessandra Guimarães Soares Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos – SP – Brasil. Doutora em Ciência Política. Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo – SP – Brasil. Estágio pós-doutoral em Direito. https://orcid.org/0000-0001-9193-7672
  • Catharina Libório Ribeiro Simões Universidade de São Paulo (USP), São Paulo – SP – Brasil. Mestranda no Instituto de Relações Internacionais. https://orcid.org/0000-0002-8444-7760
  • Thiago Giovani Romero Universidade de São Paulo (USP), São Paulo – SP – Brasil. Doutorando em Direito Internacional Público. https://orcid.org/0000-0003-2438-4507

DOI:

https://doi.org/10.47284/2359-2419.2020.28.193223

Palavras-chave:

Crises econômicas, Extrema direita, Direitos humanos, Cidadãos de bem,

Resumo

Este artigo aborda a relação existente entre as crises financeiras, a ascensão da extrema direita e a relativização dos direitos humanos, especialmente, dos grupos minoritários. A Longa Depressão, a Grande Depressão e a Crise Financeira de 2008, todas crises sistêmicas do capitalismo, serviram de background para fomentar o retorno da extrema direita, e o mais preocupante, a relativização dos direitos humanos, especialmente, àqueles voltados a proteção dos grupos minoritários. O Estado passa a ser usado como forma de oprimir, ainda mais, os definidos como inimigo comum, sejam eles os pobres, os negros, os refugiados ou os homossexuais. Posto esse cenário, surge, então, uma estranha e feroz classe que se define como a dos cidadãos de bem e que usa o Estado para relativizar e negar direitos fundamentais.

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Publicado

17/09/2020