Raça, trabalho e classe

a abordagem de Florestan Fernandes sobre a não inserção da população negra na ordem social competitiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29373/sas.v14i00.19924

Palavras-chave:

Florestan Fernandes, Movimento negro, Segunda abolição, Ordem social competitiva

Resumo

Para Florestan Fernandes, a sociedade brasileira constituiu-se a partir da subalternização de determinados grupos sociais, especialmente da população negra, cuja posição social resultou de um longo processo histórico de silenciamento e dominação. Com o fim do regime escravista, não houve um projeto político voltado à inserção efetiva dessa população na emergente sociedade de classes, preservando-se, sob novas formas, a lógica excludente da antiga ordem estamental. Desprovidos de acesso à escolarização e à especialização exigidas pelo processo de modernização, os negros foram sistematicamente relegados do desenvolvimento econômico e social. Este artigo analisa a contribuição de Florestan Fernandes para compreender como a estrutura de classes no Brasil se consolidou de maneira excludente, destinando à população negra funções subalternas, dissociadas do trabalho livre, republicano e capitalista em formação. A partir das análises de Fernandes, busca-se evidenciar a complexidade que moldou a desigual inserção da população negra na ordem social competitiva.

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Biografia do Autor

Marco Aurelio de Oliveira Leal, Universidade Federal de Pernambuco

Universidade Federal de Pernambuco (PPGS-UFPE), Recife – PE – Brasil. Mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia do PPGS-UFPE.

Sérgio Roberto Veloso Filho, Universidade Federal de Pernambuco

Universidade Federal de Pernambuco (PPGS-UFPE), Recife – PE – Brasil. Graduado em Ciências Sociais, com interesse em sociologia da comunicação, das emoções e do consumo.

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Publicado

29/12/2025

Como Citar

LEAL, M. A. de O.; VELOSO FILHO, S. R. Raça, trabalho e classe: a abordagem de Florestan Fernandes sobre a não inserção da população negra na ordem social competitiva. Revista Sem Aspas , Araraquara, v. 14, n. 00, p. e025013, 2025. DOI: 10.29373/sas.v14i00.19924. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/semaspas/article/view/19924. Acesso em: 1 fev. 2026.