Um mundo em conta-gotas quebrado

(re)pensar futuros inúteis e vivíveis

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47284/cdc.v25iesp2.20011

Palavras-chave:

Capitalismo moderno-colonial, Catástrofes ecológicas, Futuros poss´íveis

Resumo

Este artigo procura demonstrar que os modos de produção e destruição do capitalismo moderno-colonial têm colocado a Terra diante de catástrofes climáticas e ambientais “impensáveis”, especialmente a partir da hegemonia global do neoliberalismo. Esses fenômenos extremos evidenciam a realidade alarmante de uma deterioração acelerada e descontrolada do mundo, mas cujos impactos variam consoante desigualdades socioeconômicas e geopolíticas preexistentes. No Brasil, o poder estrutural do racismo faz com que tais catástrofes atinjam desproporcionalmente as pessoas negras e indígenas, algo bastante perceptível nos últimos casos de rompimento de barragens da atividade mineradora. Além de refletir sobre o dito “impensável” do presente, pretende-se indicar caminhos teóricos para um futuro possível e vivível, levando em conta epistemologias e cosmovisões ancestrais que confrontam o imaginário capitalista e colonialista dominante que orienta a exploração e a devoração voraz de todos os elementos constitutivos do planeta, humanos e não humanos.

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Biografia do Autor

Matheus Guimarães de Barros, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Rio de Janeiro – RJ – Brasil. Mestre em Ciências Sociais (PPGCIS) e Doutorando em Teoria do Estado e Direito Constitucional (PPGD).

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Publicado

28/12/2025