Justiça climática e transição justa

uma revisão de escopo do uso dos conceitos no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47284/cdc.v25iesp2.20065

Palavras-chave:

Mudança climática, Justiça climática, Transição justa, Revisão de escopo, Justiça Social

Resumo

Este estudo conduz uma revisão de escopo sobre a aplicação dos conceitos de justiça climática e transição justa na literatura científica e técnica brasileira, considerando seu desenvolvimento após o Acordo de Paris (2015). A justiça climática tem sido amplamente mobilizada na academia e em textos técnicos, com foco nas desigualdades sociais agravadas pelas mudanças climáticas, especialmente entre o Norte e o Sul Global. Sua inclusão na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil de 2024 e no Plano Clima reforça sua crescente relevância política. A transição justa é abordada como um processo de transformação sociotécnica que integra justiça social e sustentabilidade na descarbonização. A revisão evidencia a sinergia entre ambos os conceitos, consolidando-os como agendas estratégicas na formulação de políticas públicas e na governança climática. Em conclusão, amplia paradigmas tradicionais e desafia formas hegemônicas de produção do conhecimento.

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Biografia do Autor

Rogger Barreiros, World Resource Institute

World Resource Institute (WRI), São Paulo – SP – Brasil. Economista pela Universidade Federal do Pará com mestrado em economia do desenvolvimento regional Programa de Pós-graduação em Economia pela Universidade Federal do Pará (Analista de Socioeconomia e Finanças do Clima).

Karen Silverwood-Cope, World Resource Institute

World Resource Institute (WRI), Brasília – DF – Brasil. Formada em ciência política pela Universidade de Brasília com doutorado em ciência política pela Universidade de Brasília (Diretora do Programa de Mudanças Climáticas).

Luana Priscila Betti, World Resource Institute

World Resource Institute (WRI), Porto Alegre – RS – Brasil. Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com mestrado em clima e desenvolvimento pela London School of Economics and Political Science (LSE) (Gerente de Socioeconomia e Finanças do Clima).

Antônio Marques da Costa Ouro, World Resource Institute

World Resource Institute (WRI), São Paulo – SP – Brasil. Formado em Gestão de Políticas Pública pea Universidade de São Paulo (Analista de Políticas Públicas Climáticas).

Miriam Garcia, World Resource Institute

World Resource Institute (WRI), São Paulo – SP – Brasil. Formada em relações internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com doutorado em relações internacionais pela Universidade de São Paulo (Gerente de Políticas Públicas Climáticas).

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Publicado

28/12/2025