Fragmentos de realidade

justiça climática e racismo ambiental nas narrativas de extrema direita brasileira

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DOI :

https://doi.org/10.47284/cdc.v25iesp2.20062

Mots-clés :

Justiça Climática, Extrema direita, Alfred Schütz

Résumé

No Brasil, a ascensão da extrema direita acelerou o desmonte das políticas ambientais, justificado, entre outros, por discursos que negam a crise climática e seus impactos desiguais. Com base na obra de Alfred Schutz, este artigo analisa como tais narrativas configuram uma província finita de significado, sustentada por redes intersubjetivas de validação. A articulação entre neoliberalismo e neoextrativismo revela que a negação das mudanças climáticas transcende o campo discursivo, consolidando-se como estratégia política e econômica que perpetua desigualdades sociais e o racismo ambiental. Ao discutir essas interseções, o estudo evidencia como a desinformação sistemática e a invisibilização das populações vulneráveis dificultam a implementação de políticas climáticas justas e equitativas. Como aporte conceitual, emprega-se também o conceito de choque de realidades do autor para explicar a resistência a tais evidências. Assim, defende-se que a compreensão e o enfrentamento desses discursos são fundamentais para o avanço da justiça climática e a superação das desigualdades históricas.

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Biographie de l'auteur

Trissia Maria Fortunato Paes de Barros, Universidade Federal de São Carlos

Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos – SP – Brasil. Doutoranda em Sociologia pelo PPGS da UFSCar, com bolsa CAPES.

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Publiée

28/12/2025