Justiça climática em comunidades ribeirinhas

impactos e lutas na Amazônia Marajoara

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47284/cdc.v25iesp2.20101

Palavras-chave:

Justiça climática, Amazônia Marajoara, Comunidades ribeirinhas, Políticas públicas inclusivas, Adaptação antirracista

Resumo

Na Amazônia Marajoara, as emergências climáticas têm intensificado impactos sobre comunidades ribeirinhas historicamente marcadas por vulnerabilidades sociais, ambientais e raciais. O artigo analisa a urgência da justiça climática nesses territórios, com base em revisão bibliográfica, trabalho de campo no município de Breves e acompanhamento de oficina sobre sociobioeconomia promovida pelo PRCR/UFPA e pela Embrapa. Os resultados indicam que a crise climática aprofunda desigualdades, compromete modos de vida tradicionais e amplia processos de marginalização. Evidencia-se o papel dos movimentos sociais e dos saberes ancestrais na defesa de direitos e na construção de alternativas locais. Conclui-se que políticas públicas devem reconhecer a dívida histórica com essas populações, assegurar sua participação na formulação de estratégias de adaptação e adotar abordagem antirracista, territorializada e sensível às especificidades socioculturais da região, fortalecendo o debate sobre justiça climática em contextos periféricos e tradicionais.

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Biografia do Autor

Adriele Costa Xisto, Universidade Federal do Pará

Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém – Pará (PE) – Brasil. Graduanda.

Eunápio Dutra do Carmo, Universidade Federal do Pará

Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém – Pará (PE) – Brasil. Professor.

Janiele do Socorro de Almeida Viegas, Universidade Federal do Pará

Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém – Pará (PE) – Brasil. Graduanda.

Patrícia Garcia Lima, Universidade Federal do Pará

Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém – Pará (PE) – Brasil. Professora.

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Publicado

28/12/2025