Além da mitigação

quilombolas como comunidades epistêmicas na crise climática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47284/cdc.v25iesp2.20055

Palavras-chave:

Justiça climática, Racismo ambiental, Vulnerabilidade socioambiental, Percepção de risco, Comunidades quilombolas

Resumo

A crise climática tem aprofundado desigualdades socioambientais no Brasil, afetando de forma desproporcional comunidades vulneráveis, como as quilombolas. Este estudo analisa essas desigualdades a partir dos conceitos de justiça climática e racismo ambiental, tomando como referência o desastre climático ocorrido no Rio Grande do Sul em 2024. Além de examinar os impactos sobre as comunidades quilombolas, a pesquisa insere a justiça climática como um campo de disputa política e epistemológica, ressaltando as contribuições da abordagem decolonial e das ciências sociais para uma compreensão crítica da crise socioambiental. Argumenta-se que o fortalecimento de políticas participativas e a valorização dos saberes tradicionais são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

 

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Biografia do Autor

Jeniffer Hübner, Universidade Federal de Santa Maria

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), São Maria – RS – Brasil. Doutoranda pelo programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais.

Luiza de Albuquerque Leite Vieira, Universidade Federal de Santa Maria

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), São Maria – RS – Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais.

Fernanda dos Santos Americo, Universidade Federal de Santa Maria

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), São Maria – RS – Brasil. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais.

José Marcos Froehlich, Universidade Federal de Santa Maria

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), São Maria – RS – Brasil. Professor Titular, com atuação no PPG em Extensão Rural e no PPG em Ciências Sociais.

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Publicado

28/12/2025