Avaliação, atitudes, crenças linguísticas e o ensino de língua portuguesa: uma reflexão a partir de testes com professores de ensino médio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29051/el.v6i1.13270

Palavras-chave:

Atitude linguística, Avaliação linguística, Concordância verbal, Teste de atitudes linguísticas, Teoria da Variação e Mudança Linguística.

Resumo

A avaliação, as atitudes e crenças linguísticas suscitam a construção de julgamentos subjetivos do falante sobre sua própria língua e do seu interlocutor. Tais julgamentos podem influenciar o quadro de variação ou o curso de processos de mudança, estando, usualmente, ancorados na ideologia linguística de uma língua padrão. No ambiente escolar, destaca-se o professor como um dos agentes principais do que é transmitido e/ou reforçado no processo de ensino-aprendizagem.  Por seu papel no processo de construção de crenças e atitudes, propusemos neste estudo investigar atitudes linguísticas de professores de duas escolas públicas de Monte Azul Paulista- SP, quanto ao fenômeno variável de concordância verbal, de modo a auxiliar na discussão sobre a valorização ou rejeição às variedades linguísticas em uso e sobre o ensino de língua portuguesa no Brasil. Este trabalho pautou-se na abordagem teórico-metodológica da Sociolinguística Variacionista (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV,2008).

Biografia do Autor

Rafaela Regina Ghessi, Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Mestranda – Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa - FCLAr - UNESP - Araraquara.

Rosane Andrade Berlinck, Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Professora Assistente-Doutor do Departamento de Linguística, Literatura e Letras Clássicas - FCLAr - UNESP - Araraquara

Mestre em Linguística pela Unicamp, Doutora em Linguística pela Katholieke Universiteit Leuven, Pós-Doutorado em Sociolinguística pela University of Ottawa.

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Publicado

06/01/2020