n. 51, 2020

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Nesta nossa época de irrestrito triunfo tecno-digital e emergência climática, surgem legítimas e urgentes preocupações com a preservação da floresta, ameaçada por interesses vários. A tal ponto que um dos assuntos atualmente mais discutidos à escala planetária é precisamente a defesa do pulmão florestal da terra – a Amazónia. 

A floresta não se restringe, evidentemente, à componente puramente ambiental e biológica. Como nos mostra Richard Pogue Harrison em Forests: The Shadow of Civilization, a floresta tem, de igual modo, sido ao longo dos séculos o espaço-chave de um imaginário extraordinário. Agora, em pleno século XXI, dominado cada vez mais pela Razão tecnológica e cada vez menos por consensos morais, tudo indica que a floresta se converteu no lugar de todas as preocupações. Dir-se-ia o último ponto de abrigo capaz de nos salvaguardar de uma catástrofe com proporções cataclísmicas. A floresta, numa palavra, adquire cada vez mais o valor de santuário. Um santuário frágil e à mercê da expansão radical da crise ecológica.

Em suma, hoje, quando pesadas ameaças pairam sobre os espaços florestais, pondo em perigo os seus ecossistemas e os seus habitantes, sejam eles trabalhadores indígenas ou populações rurais, torna-se, mais do que nunca, necessário repensá-la sob pontos de vista múltiplos, inovadores e interdisciplinares. Assim, o número 51 da revista Itinerários, em sintonia com perspetivas ecocríticas, pretende acolher para publicação textos focados na temática florestal e, mais latamente, as relações entre literatura e ambiente.  

Publiée: 12/02/2021

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