O corpo humano como alimento para a sexualidade

Everton Luiz de Oliveira, Daniel Cordeiro Cardoso, Fátima Elisabeth Denari

Resumo


O presente artigo retrata uma caminhada teórica com vistas à enunciação de uma narrativa histórica e cultural que apresenta o corpo como elemento central na formatação e construção da sexualidade humana. Tal caminhada intui evidenciar algumas projeções, pensamentos e materializações que permitiram definir a beleza corporal como promotora de desejos, intencionalidades e sensações eróticas em favor de uma sexualidade anunciada no e pelo senso comum como ideal. Objetivou-se, ainda, problematizar a maneira como a estética físico-corpórea tem servido de mola propulsora para a configuração de discursos cristalizados sobre a sexualidade, falseando a ideia de que apenas os corpos alinhados com os modelos corporais hegemônicos podem ser considerados objeto de desejo, prazer e de práticas sexuais e eróticas. Por fim, apreende-se que o corpo também pode ser admitido como instrumento capaz de subverter a lógica preestabelecida em que: corpo, beleza e práticas sexuais parecem formar uma tríade em favor do mito da sexualidade perfeita ou performática, na medida em que os corpos (todos eles) sejam reconhecidos pela coletividade como promotores de prazeres, desejos e sustentáculo para práticas afetivas e rotinas sexuais/eróticas, independentemente de suas formatações fisiológicas, anatômicas e estéticas.

Palavras-chave


Corpo. Educação sexual. Sexualidade. Estética. Beleza.

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