Cuidando do “cuida-dor”:

a coterapia como recurso facilitador da autocompaixão e do autocuidado de terapeutas que atendem vítimas de violência transgeracional – um relato de experiência a partir do estudo das ressonâncias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21468

Palavras-chave:

Coterapia, Violência sexual, Fadiga por compaixão, Relações terapeuta-cliente, Trauma psicológico

Resumo

Este artigo, desenvolvido como relato de experiência, reflete sobre os impactos da ressonância no atendimento terapêutico a vítimas de violências transgeracionais. Objetiva discutir a coterapia e a autocompaixão como estratégias de proteção à saúde mental das terapeutas e prevenção da fadiga por compaixão. A experiência decorre do atendimento voluntário, em 2023, a uma mulher com histórico de violência sexual, recorrentes tentativas de suicídio e traumas transgeracionais. A escuta contínua de narrativas traumáticas, associada à compaixão e à responsabilização pela segurança da pessoa atendida, gerou intensas ressonâncias nas terapeutas, evidenciando impotência, culpa, autocrítica e sofrimento psíquico. A partir dessa experiência, a coterapia possibilitou metabolizar as ressonâncias, sustentar emocionalmente as profissionais e converter a autocrítica em autocompaixão, contribuindo para mitigar riscos ocupacionais. O relato busca incentivar práticas de autocuidado e reduzir os riscos de fadiga por compaixão em profissionais que atuam nessa área, especialmente diante da exposição continuada ao sofrimento de terceiros.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vivianne Moraes, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Psicóloga Clínica.

Regina Mainardi, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Bernardo do Campo – São Paulo (SP) – Brasil. Pedagoga, Terapeuta Sistêmica e Consultora Educacional.

Cláudia Bruscagin, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Psicóloga Clínica e Supervisora.

Referências

Antonio, D. O. C. (2024). Trauma vicariante e burnout em profissionais de saúde que atendem mulheres e crianças vítimas de violência sexual [Dissertação de mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Repositório PUC-SP. https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/41785

Araújo, I. T. R. C. (2023). Casa do ferreiro, espeto de pau? Autocuidado, autocompaixão, bem-estar psicológico e frequência em terapia em estagiários de psicologia [Dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa]. Repositório Científico de Acesso Aberto da ULisboa. http://hdl.handle.net/10400.5/97433

Barbosa, S. C., Souza, S., & Moreira, J. S. (2014). A fadiga por compaixão como ameaça à qualidade de vida profissional em prestadores de serviços hospitalares. Psicologia: Organizações e Trabalho, 14(3), 315–323.

Bleger, J. (1998). Temas em psicologia: Entrevista e grupos. Martins Fontes.

Boff, L. (2017). Saber cuidar: Ética do humano – Compaixão pela terra. Vozes.

Brasil. (2006). Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006: Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Diário Oficial da União. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm

Carvalho, V. S., & Chambel, M. J. (2024). Compreendendo e mitigando a fadiga por compaixão. In S. R. A. Marcon, J. B. Porto, & H. Sandall (Orgs.), Preparação, resiliência e resposta: Guia prático para trabalhadores e voluntários em emergências, desastres e catástrofes. Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho.

Collins, P. H., & Bilge, S. (2020). Interseccionalidade (R. Souza, Trad.). Boitempo.

Daltro, M. R., & Faria, A. A. (2019). Relato de experiência: Uma narrativa científica na pós-modernidade. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 19(1), 223–237. https://doi.org/10.12957/epp.2019.43015

Dos-Santos, E. M. (Org.). (2025). Interseccionalidade e equidade em saúde: Gênero, raça e deficiências no trabalho no SUS. Científica Digital.

Lomando, E., & Sigaran, C. (2018). TMS – Terapia dos movimentos sistêmicos. Arte em Livros.

LPC Latina. (2018). Conheça o sismógrafo, ferramenta que detecta vibrações no solo. https://lpclatina.com.br/news_pt-conheca-o-sismografo-ferramenta-que-detecta-vibracoes-no-solo/

Maesima, G. M., Barreto, M., & Beiras, A. (2019). O conceito de ressonâncias no processo de formação do terapeuta: Descobrindo potencialidades e limitações na prática terapêutica. Nova Perspectiva Sistêmica, 28(64), 105–118. https://doi.org/10.38034/nps.v28i64.501

Medeiros, N. B., Santos, F. R. C., Gomes, D. S., Sousa, L. N., & Carvalho, A. L. N. (2021). O papel da autocompaixão na regulação emocional: Revisão de literatura. Revista de Psicologia da Unesp, 20(2), 144–160. https://doi.org/10.5935/1984-9044.20210018

Mussi, R. F. F., Flores, F. F., & Almeida, C. B. (2021). Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. Práxis Educacional, 17(48), 60–77. https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i48.9010

Neff, K. (2017). Autocompaixão: Pare de se torturar e deixe a insegurança para trás (B. M. Flores, Trad.). Lúcida Letra.

Neff, K., & Germer, C. (2019). Manual de mindfulness e autocompaixão: Um guia para construir forças internas e prosperar na arte de ser seu melhor amigo (S. M. M. Rosa, Trad.). Artmed.

Paim, K. R., & Esmael, T. B. (2013). Revisitando nossas violências constituintes: A escuta de mulheres vivendo violência de género na relação conjugal. Outras Vozes, (43–44).

Rosas, E. V. (2019). O conceito de ressonância no processo de formação do terapeuta: Descobrindo potencialidades e limitações na prática terapêutica. Nova Perspectiva Sistêmica, 28(65), 117–120.

Silva, E. A., & Costa, I. I. (2008). Saúde mental dos trabalhadores em saúde mental: Estudo exploratório com os profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial de Goiânia/GO. Psicologia em Revista, 14(1), 83–106.

Whitaker, C., & Bumberry, W. (2004). Dançando com a família: Uma abordagem simbólico-experiencial (R. E. Starosta, Trad.). Artmed.

Publicado

10/09/2026

Como Citar

MORAES, V.; MAINARDI, R.; BRUSCAGIN, C. Cuidando do “cuida-dor”:: a coterapia como recurso facilitador da autocompaixão e do autocuidado de terapeutas que atendem vítimas de violência transgeracional – um relato de experiência a partir do estudo das ressonâncias. DOXA: Revista Brasileira de Psicologia e Educação, Araraquara, v. 27, n. Especial 1, p. e026019, 2026. DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21468. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/doxa/article/view/21468. Acesso em: 15 set. 2026.