Da reprodução à reflexão
masculinidades e heranças familiares adversas
DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21473Palavras-chave:
Masculinidades, Experiências adversas na infância, Transmissão transgeracionalResumo
Este estudo qualitativo analisou o impacto de padrões transgeracionais na construção de significados atribuídos às masculinidades por homens adultos cisgênero que vivenciaram experiências adversas na infância. Dados de entrevistas semiestruturadas individuais e genogramas foram submetidos à análise temática reflexiva, da qual emergiram três temas: heranças masculinas ambivalentes; lealdades invisíveis e repetição transgeracional; e diferenciação, ruptura e reconstrução reflexiva. A masculinidade foi aprendida em contextos de ambivalência afetiva, violência, alcoolismo parental e ausência emocional, transmitidos de forma não linear entre gerações. Figuras masculinas familiares apareceram simultaneamente como fontes de cuidado e sofrimento, organizando experiências de identificação, rejeição e ambivalência. Terapia, paternidade, espiritualidade e sofrimento psíquico mobilizaram movimentos de questionamento, diferenciação e reconstrução diante das referências masculinas herdadas. As experiências adversas familiares não determinam linearmente a identidade masculina, mas constituem um campo relacional no qual cada sujeito constrói, com os recursos disponíveis, formas próprias e singulares de significar e viver a masculinidade.
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