O desenvolvimento do raciocínio na era da tecnologia: cognição x doutrinação

Maria Angélica Seabra Rodrigues Martins

Resumo


A formação de professores no atual universo das tecnologias e a necessidade de se obter alunos capazes de pensar e de pensar por si mesmos, tem sido um desafio constante e difícil de vencer para muitos professores em todos os níveis de ensino. A concorrência da escola com os meios de comunicação, se por um lado facilita a vida do aluno; por outro, afasta-o da possibilidade de pesquisas mais profundas, do contato com uma biblioteca física, uma vez que a superficialidade dos temas oferecidos pela internet muitas vezes assume esse papel, tornando dificultosa a necessidade de desenvolvimento do raciocínio lógico e da própria capacidade de redigir com clareza, coesão e criatividade. Mas, como produzir textos com qualidade, se o aluno não é treinado para exercer a dialética, nem possui conteúdo para tal? As pesquisas que temos desenvolvido nos últimos vinte anos, a partir da preocupação com a qualidade do ensino, baseiam-se particularmente na capacidade do professor de levar o aluno à reflexão, criando uma rede cognitiva que não esteja ligada diretamente a um ensino dogmático, capaz de reduzir sua visão. A reforma do ensino proposta recentemente pelo governo propõe uma escola sem doutrinação, mas muitos professores sentem-se incapazes de encontrar uma forma de auxiliar seus alunos a serem mais críticos e observadores, uma vez que muitos manuais de História, Geografia ou mesmo de Filosofia apresentam uma tendência nitidamente marxista. Como, então, levar o aluno à reflexão, sem que ele seja conduzido por caminhos doutrinários? Como levá-lo a refletir acerca dos problemas com que convive no mundo, de forma a distinguir um pensamento racional de um tendencioso, se o próprio mundo que o cerca, os meios de comunicação, principalmente a Internet, fornecem-lhe bases nitidamente doutrinárias?  Neste artigo procuraremos apresentar caminhos que nos foram úteis tanto na formação de professores de Pedagogia, quanto no trabalho com alunos de nível médio, visando o desenvolvimento de sua capacidade de reflexão. Com base na Psicologia (BETTELHEIM, 1980; JUNG, 2008), na Filosofia da Educação (LIPMAN, 1994), na antropologia (ELIADE, 1972; CAMPBELL, 2013) e na Filosofia Clássica (PENHA,1994), apresentaremos nossa abordagem acerca da formação de alunos críticos e questionadores.


Palavras-chave


Raciocínio cognitivo. Doutrinação. Arquétipos. Antropologia. Filosofia da educação

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v21.n.esp1.out.2017.10456



Rev. on line de Política e Gestão Educacional, Araraquara, SP, Brasil, e-ISSN: 1519-9029

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