Acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência física em ambientes de sexo pago

Maria Fernanda Sanchez Maturana, Solange Aparecida de Souza Monteiro, Vagner Sérgio Custódio

Resumo


Este trabalho teve como objetivo diagnosticar a acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência física em cabarés da cidade de São José do Rio Preto. Teve como hipótese que esses locais apesar de possuírem alvará de funcionamento não possuem adaptações para incluir essas pessoas. O que é um problema muito relevante, pois devido ao preconceito social que envolve as deficiências, em muitos casos o sexo pago é uma importante manifestação sexual. Outra hipótese é que as garotas de programa não querem ou não estão preparadas para atender pessoas com deficiência física, o que gera uma situação de exclusão. Uma terceira hipótese é que os usuários com deficiência utilizam pouco esses serviços devido às dificuldades supracitadas, não usufruindo desta tipologia de lazer. Para chegar aos resultados, aplicou-se uma lista de checagem nos cabarés, aliado a uma entrevista qualitativa com as garotas de programa e outra com homens com deficiência física. Os resultados foram analisados qualitativamente e dispostos em tabelas e gráficos. A pesquisa resultou em 02 listas de checagem, totalizando o número de cabarés legalizados na cidade, além de 17 entrevistas com os deficientes físicos e 10 entrevistas com as garotas. Na primeira etapa, nenhum dos dois estabelecimentos mostrou-se acessível. Já as entrevistas com os homens demonstraram que 03 deles já foram a cabarés, mas todos relataram que esses estabelecimentos não são adaptados, mas que as garotas são receptivas, apesar da falta de informação das mesmas. Dos outros 14 homens que nunca foram a cabarés, 50% demonstram interesse em ir, mas imaginam não serem locais acessíveis, entretanto, acreditam que serão atendidos por garotas receptivas, mas, além disso, esperam encontrar preconceito por parte dos outros clientes. Já os outros 50% que não demonstram interesse em ir a cabarés se justificam por possuir medo do preconceito das pessoas, assim como, da falta de acessibilidade, tornando-os inseguros. Destes entrevistados apenas 02 disseram que caso houvesse acessibilidade continuariam a não ir. Das 10 garotas entrevistadas, 06 relataram já ter atendido esses homens, e que foram experiências surpreendentes, mas difíceis, pois não compreendiam as possibilidades sexuais dos mesmos, tornando dificultosa a relação, visto que, não sabiam os limites desses clientes. Das 04 que nunca atenderam, apenas 01 relatou interesse em atender, entretanto, quando foi perguntado para as outras 03 o principal motivo para a rejeição, relataram principalmente a falta de preparo. Já quando se perguntava se caso fossem capacitadas e informadas a respeito mudariam de opinião, apenas 01 das 03 disse que continuaria não atendendo. Concluiu-se que, o maior problema nesses locais é a acessibilidade física e a falta de capacitação das garotas. Essa pesquisa comprova a importância da acessibilidade nos cabarés como alternativa sexual e de lazer, com isso, pretendeu-se demonstrar a importância das políticas de fiscalização das leis, além de auxiliar os empresários do setor de entretenimento para realizarem ações para incluírem as pessoas com deficiência, considerando a possibilidade de um fomento econômico, e consequentemente as profissionais do sexo, e os potenciais usuários para prestarem e usufruírem desse serviço com uma melhor qualidade.

Palavras-chave


Acessibilidade; Inclusão; Cabarés.

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