Seguindo os traços da episteme moderno/colonial no Documento Curricular do Estado do Pará

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v16i3.13277

Palavras-chave:

Episteme moderno/colonial, DCEPará, Estrutura disciplinar, Homogeneização cultural, Desobediência epistêmica

Resumo

Este artigo tem como objetivo seguir alguns traços da episteme moderno/colonial presentes no Documento Curricular do Estado do Pará - DCEPará. O aporte teórico é o do giro decolonial com Mignolo (2003, 2005, 2007, 2008, 2014), Castro-Gómez (2007a, 2007b, 2014), Palermo (2014), e dos estudos curriculares com Silva (1999), Macedo (2014, 2015) e Lopes (2004). A etnografia multilocal, constitui a arte do fazer, um procedimento emergente e contestado, mas produtivo para a análise de documentos (MARCUS, 2001). Os resultados indicam que no DCEPará há muitos traços da episteme moderno/colonial, entre os quais a estrutura disciplinar e a homogeneização cultural. Os agentes estatais desviaram a atenção destes traços, disseminando uma retórica pedagógico-cultural crítica que defende a prática interdisciplinar, a diversidade e a participação.  Concluo argumentando que a desobediência epistêmica é capaz de produzir uma política do conhecimento outra, orientada pela política do lugar, pela transdisciplinaridade e pela interculturalidade.

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Biografia do Autor

Joyce Otânia Seixas Ribeiro, Universidade Federal do Pará (UFPA), Abaetetuba – PA

Professora da Faculdade de Educação e Ciências Sociais e Professora do Programa de Pós-Graduação em Cidades: Territórios e Identidades. Doutorado em Educação (UFPA).

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Publicado

01/07/2021

Como Citar

SEIXAS RIBEIRO, J. O. Seguindo os traços da episteme moderno/colonial no Documento Curricular do Estado do Pará. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 3, p. 1878–1897, 2021. DOI: 10.21723/riaee.v16i3.13277. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/13277. Acesso em: 25 out. 2021.