Inclusão e aprendizagem como imperativos da governamentalidade neoliberal e a criação dos Institutos Federais de Educação no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.unesp.v13.n4.out/dez.2018.11057

Palavras-chave:

Inclusão, Governamentalidade, Educação profissional, Institutos Federais de Educação

Resumo

O presente estudo se insere no campo de investigação das políticas de inclusão na educação profissional e pode ser inscrito entre os estudos que se servem de uma perspectiva pós-estruturalista a partir dos Estudos Foucaultianos, especialmente da noção de governamentalidade, para procedimento e desenvolvimento analítico. Objetivamos identificar, em documentos internacionais, como a adoção da inclusão, na forma de determinação das condições para a educação na atualidade, pode ser explicitada na ordem da governamentalidade neoliberal, construindo as condições para a criação dos Institutos Federais de Educação (IFs). Para tal empreendimento, tomamos como material analítico documentos políticos e de orientação produzidos pelos organismos internacionais entre a década de 1990 e os anos 2000. Com este movimento, percebemos que o investimento na política de expansão da educação profissional no Brasil, com a criação dos IFs, pode se inserir em uma forma de governamento em que sua função, como instituição de Estado, pode ser a de produzir um modo de condução e captura dos jovens e, com isso, assegurar uma perspectiva de inclusão que toma como referência o espaço da instituição como fronteira para classificar, identificar e controlar modos de ser da juventude, determinando modelos de aprender.

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Biografia do Autor

Beatris Gattermann, Instituto Federal Farroupilha

Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM; Pós Graduação em Gestão Educacional UFSM ( 2012); Pós Graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional FAISA Santo Augusto (2012); Pós Graduação em Educação Interdisciplinar - Orientação e Supervisão Escolar FAISA Santo Augusto (2011); Graduação em Pedagogia - Habilitação Educação Infantil, Anos Iniciais e Educação Especial, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ (2009). Curso de Atendimento Educacional Especializado - AEE, UFSM (2012). Atualmente Pedagoga no Instituto Federal Farroupilha Campus Santo Augusto - RS. Membro Grupo de Estudo Pesquisa em Educação Especial e Inclusiva - GEPE/UFSM e membro do Grupo de pesquisa GEPEE - IFFar.

Leandra Boer Possa, Universidade Federal de Santa Maria - UFSM

Graduação em Educação Especial - Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (1993), Mestrado em Psicopedagogia - Universidad de La Havana (2001), Mestrado em Educação - Fundamentos da Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (1997) e Doutora em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (2013) . Realizou Estágio Pós Doutoral em Políticas Públicas de Educação e Educação Comparada na Universidade de Valencia, Espanha (2016-2017) Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal de Santa Maria e realizando estágio Pós doutoral (CAPES) na Faculdad de Filosofia e Ciencias da Educación, Departamento de Educación Comparada, da Universidad de Valencia, Espanha. Tem experiência na área de Educação, com ênfase nas linhas de pesquisa de Políticas Publicas em Educação, Educação Especial e Formação de Professores. Líder do Grupo Institucional GEPE/UFSM: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/6763731375062082 

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Publicado

01/10/2018

Como Citar

GATTERMANN, B.; POSSA, L. B. Inclusão e aprendizagem como imperativos da governamentalidade neoliberal e a criação dos Institutos Federais de Educação no Brasil. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 13, n. 5, p. 1632–1651, 2018. DOI: 10.21723/riaee.unesp.v13.n4.out/dez.2018.11057. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/11057. Acesso em: 21 jun. 2021.

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