Wayunkeera, uma triangulação metodológica epistêmica do desenvolvimento humano wayuu como uma ancoragem para a própria metodologia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v15iesp.1.13353

Palavras-chave:

Wayunkeera, A’laülaa, Wayuu, Alta Guajira, Makuira.

Resumo

Antes de mencionar a abordagem da expressão que utilizei de minha língua materna ‘Wayunkeera’, é mister de minha parte contextualizar aos leitores sobre o lugar onde realizei minha investigação, no território wüinpümüin “em direção ao caminho das águas” ‘Iishuwo’u’ “terras de cardeais”, Corregimiento de Nazareth, nome dado em homenagem à “Sagrada Família de Nazaré” pelo primeiros missioneiros capuchinos espanhóis, localizado na parte inferior da unidade espacial do córrego da Serranía de la Makuira[1]. Trabalhou-se com os maiores Wayuu, falantes de wayuunaiki “o que sai da cabeça de ser Wayuu, através da boca”, Iguarán (2014a; 2019) grupo assentado geográfica e historicamente na Península de la Guajira. Para a abordagem do trabalho, se aplicou a metodologia discursiva própria Wayuu, a escuta, a observação e a narrativa, sob uma discussão dialógica “duplamente reflexiva” (ESMERAL, 2014). O idioma falado pelos Wayuu é o wayuunaiki, língua mais falada na Colômbia e Venezuela, originária do tronco linguístico Arawak, cuja população soma aproximadamente 278.254 habitantes segundo Dane (2006a) “a população étnica e o Censo geral de 2005” e outros tantos na República Bolivariana da Venezuela, pelo que se considera uma sociedade flutuante entre estes dois países. Na referida língua, se conservam fenômenos próprios da natureza dos lugares de wüinpümüin, silenciados pelo poder da língua hegemônica, daí o interesse de seguir investigando sobre problemas sociais e culturais de lugarização, o qual “propende à satisfação da necessidade de identidade, pessoal e comunitária de lugar” González (2014, p. 47), ou seja, meu reencontro com minha própria singularidade e convivência entre irmãos wayuu. A partir de sua estrutura morfológica e “significado de vida” o wayuunaiki traduz “o que sai da cabeça da pessoa wayuu através da boca” (IGUARÁN, 2014), é uma expressão que surge da estrutura própria da palavra, que é uma “história de vida” Abadio Green (2011). Com base neste exemplo específico de estudo da palavra a partir de seu “significado de vida”, se realizou o estudo da “wayunkeera, uma triangulação metodológica epistêmica do desenvolvimento humano wayuu como uma ancoragem para a metodologia própria”, que emergiu de minha tese de doutorado, por considerar esta expressão que estava em desuso enquanto sua função social e criadora dentro da sociedade e das práticas das pessoas mais velhas, ao considera-la como expressão própria de mundo de meninos e meninas wayuu, ao criar imagens com o barro. Nesse sentido, o presente trabalho que proponho à consideração de acadêmicos, e um construto que surgiu a partir de minha tese de doutorado “Etnoeducação na perspectiva da palavra mulher, matriz das coisas conceito na Cultura Wayuu[2]. Para essa oportunidade, considero necessário retomar e aprofundar o tema da Wayunkeera assumido no terceiro capítulo e representado pela figura do dedo do meio da mão que faz o papel de A’laülaa “Tio Materno”, a Autoridade Matrilinear de um E’irukuu territorial. Se denominou pela figura da pedagogia a afirmação cosmogônica e territorial na tese, caminho retomado para encontrar as descobertas sob a tutoria do tio materno na Cultura Wayuu,  para entender a perseverança sociocultural Wayuu e a engrenagem de que eles fazem como produto e produtor da sociedade originária, tanto territorial e cosmogonicamente em Wüinpümüin, Alta Guajira, Departamente de La Guajira Colombia é entender a construção dos valores atribuídos social e culturalmente no marco de sua mesma interação para o controle e administração de sua própria vida e e’irukuu, como sociedade matrilinear.

[1] A Serrania da Makuira está no extremo norte da Península de La Guajira. Tem uns 30 Km de comprimento e 12 de largura, situado a 10 Km do mar do Caribe. Está rodeada de terras planas, baixas e áridas. Por sua inclinação, configura uma série de labirintos de pequenos e profundos vales.

Entre os cerros de maior altura, está JIWONNEE (753 m.), WALECHI (852 m) e PAALUWO>U (865 m) configuram três ecossistemas separados uns dos outros por terrenos desgastados. A serrania se caracteriza por um clima determinado por influência dos húmidos ventos alísios do noroeste. A maioria da precipitação ocorre entre outubro e novembro e, é de menos de 1000 mm por ano. A temperatura média é de 28º C, chegando ao máximo 40º C e ao mínimo de 12º C. A importância ecológica da Serrania reside no seu caráter de ilha biogeográfica, já que se trata de um bosque pequeno nublado, dentro de uma região semidesértica, com uma precipitação menor de 400 mm por ano.

A Serrania constitui uma barreira para os ventos provenientes do mar carregados de humidade, que, ao chocar com ela se condensa formando nuvens, as quais descendem até uns 350 metros durante a noite. O bosque nublado, de uns 15 Km², abriga de 343 espécies de plantas catalogadas e, espécies endêmicas de fauna.

A vegetação se descreve em cinco tipos: 1) Monte espinhoso; 2) Bosque muito seco; 3) Bosque seco sempre verde; 4) Bosque ripário e 5) Bosque nublado. SUGDEN A. (1988).

[2] É uma equivalência metafórica da palavra em Wayuunaiki PÜTCHIKAT que significa [a palavra] que por si só tem uma transcendência ou conotação feminina. Além de sua construção leva dois termos que assim o denotam pütchi que faz referência ao que se diz –kat que lhe dá seu caráter feminino, de tal forma que pütchikat, que é A Palavra Mulher e razão fundamental desta investigação.

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Biografia do Autor

Gabriel Segundo Iguarán Montiel, Universidad de La Guajira, Facultad Ciencias de la Educación.

Docente de Tiempo Completo de la Universidad de La Guajira, Facultad Ciencias de la Educación. Candidato a doctor en Ciencias de la Educación de la Universidad del Magdalena-RUDECOLOMBIA.  Investigador del grupo de investigación Calidad Educativa en un Mundo Plural CEMPLU de la Universidad del Magdalena, Categoría A en Colciencias. Investigador del grupo de investigación Aa’in “Principio Motor” de la Universidad de La Guajira.

Iván Manuel Sánchez Fontalvo, Universidad del Magdalena

Docente de planta titular de la Universidad del Magdalena. Doctor en Pedagogía de la Universidad de Barcelona - España. Diploma de Estudios Avanzados en Métodos de Investigación y Diagnóstico en Educación - Universidad de Barcelona. Licenciado en Necesidades Educativas Especiales de la Universidad del Magdalena. Normalista en Etnoeducación convenio Etnoeducación Magdalena - Normal Superior María Auxiliadora de Santa Marta. Director Académico del Doctorado en Ciencias de la Educación de la Universidad del Magdalena, en convenio con RUDECOLOMBIA. Investigador Asociado reconocido por COLCIENCIAS.  Director del Grupo Calidad Educativa en un Mundo Plural - CEMPLU, reconocido por COLCIENCIAS en categoría A.  Secretario Ejecutivo de la Sociedad Latinoamericana de Estudios Interculturales – SoLEI.

Jennifer Tatiana Ortiz Segrera, Universidad del Magdalena

Joven Investigador e Innovador de la Universidad del Magdalena. Estudiante de Maestría en Educación de la Universidad Sergio Arboleda, Administradora de Empresas de la Universidad del Magdalena. Coordinadora académica del Doctorado en Ciencias de la Educación de la Universidad del Magdalena, en convenio con RUDECOLOMBIA, miembro Grupo de Investigación Calidad Educativa en un Mundo Plural - CEMPLU, reconocido por COLCIENCIAS en categoría A.

Referências

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Publicado

04/03/2020

Como Citar

IGUARÁN MONTIEL, G. S.; FONTALVO, I. M. S.; SEGRERA, J. T. O. Wayunkeera, uma triangulação metodológica epistêmica do desenvolvimento humano wayuu como uma ancoragem para a própria metodologia. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 15, n. esp.1, p. 840–871, 2020. DOI: 10.21723/riaee.v15iesp.1.13353. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/13353. Acesso em: 2 dez. 2021.

Edição

Seção

Seção Temática - Planos de educação: processos, condições e situações