O dispositivo pedagógico moderno e a criança-simulacro

Para pensar diferentemente a infância

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v17i3.15975

Palavras-chave:

Contemporaneidade, Dispositivo, Infância, Simulacro

Resumo

Este artigo, explorando a tensão entre a constituição de uma noção de infância governável e aquela força indômita da criança, que nos escapa, propõe reflexões sobre o conceito de criança em devir: a criança-simulacro. Para tanto, por um lado, a partir das noções de biopolítica, neoliberalismo e dispositivo trabalhadas por Michel Foucault, busca-se delinear como se forma um conceito de infância governável a partir do dispositivo pedagógico moderno, sobretudo em sua forma neoliberal. Por outro, explora-se a ideia de simulacro, devir e sua relação com as noções de criança, em Friedrich Nietzsche e Gilles Deleuze, escapando-se aos conceitos transcendentais e transcendentalizantes, para, por fim, propor reflexões acerca do conceito de criança como simulacro, sendo a própria noção algo em constante devir e imanência.

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Biografia do Autor

Helena Almeida e Silva Sampaio, Pontifícia Universidade Católica (PUC), São Paulo – SP – Brasil

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Filosofia.

Luiz Guilherme Augsburger, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis – SC – Brasil

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação.

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Publicado

01/07/2022

Como Citar

SAMPAIO, H. A. e S.; AUGSBURGER, L. G. O dispositivo pedagógico moderno e a criança-simulacro: Para pensar diferentemente a infância. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 3, p. 1736–1754, 2022. DOI: 10.21723/riaee.v17i3.15975. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/15975. Acesso em: 4 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos