Discursivização sobre “doenças do não aprender” no contexto educacional inclusivo: o que dizem os professores de educação infantil?

Claudia Regina Mosca Giroto, Luciana Aparecida de Araujo, Fabiana Cristina Frigieri de Vitta

Resumo


Frente ao excessivo aumento de encaminhamentos e diagnósticos que resultam em “doenças do não aprender”, esse estudo objetivou compreender como cinco professoras que lecionam para turmas do Infantil II, numa escola municipal de Educação Infantil, discursivizam as “doenças do não aprender” e as possíveis implicações em sua prática docente. A geração de dados se deu a partir da dialogia empreendida num fórum virtual de discussão, cujos dados indiciaram eixos de análise voltados às concepções sobre “doenças do não aprender” e à prática docente frente a tais “doenças”. Os enunciados gerados revelaram o pensar e o agir desses professores submetidos à lógica medicalizante, em detrimento da valorização das diferenças inerentes à heterogeneidade na Educação Infantil.

Palavras-chave


Inclusão; Educação Infantil; Doenças do não aprender; Formação docente.

Texto completo:

PDF PDF (Español (España)) XML

Referências


BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. Organização, tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra; notas da edição russa de Serguei Botcharov. São Paulo: Editora 34, 2016.

BAPTISTA, M. C. A linguagem escrita e o direito à educação na primeira infância. Anais do I Seminário Nacional: Currículo em Movimento – Perspectivas atuais, Belo Horizonte, p. 1-12. 2010. Anais...belo Horizonte, 2010.

CANGUILHEM, G. O Normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.

CHRISTOFARI, A. C. Modos de ser e de aprender na escola: medicalização (in) visível? (Tese de Doutorado). Rio Grande do Sul: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2014.

FARACO, C. A. Linguagem & diálogo: as ideias linguísticas do círculo de Bakhtin. São Paulo: Parábola Editorial. 2009.

FÓRUM SOBRE A MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA SOCIEDADE. Recomendações de práticas não medicalizantes para profissionais e serviços de educação e saúde. 2015. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2015/06/CFP_CartilhaMedicalizacao_web-16.06.15.pdf. Acesso em: 22 jul. 2018.

FRANCES, A. Voltando ao normal: como o excesso de diagnósticos e a medicalização da vida estão acabando com a nossa sanidade e o que pode ser feito para retomarmos o controle. Rio de Janeiro: Versal Editores. 2016.

GERALDI, J. W. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

GERALDI, J. W. A aula como acontecimento. São Carlos: Pedro e João Editores, 2010.

GIROTO, C. R. M. A parceria entre o professor e o fonoaudiólogo: um caminho possível para a atuação com a linguagem escrita. Marília, 2006, 256 f. Tese. (Doutorado em Educação). FFC - UNESP, 2006.

GIROTO, C. R. M.; CASTRO, R. M. A formação de professores para a Educação Inclusiva: alguns aspectos de um trabalho colaborativo entre pesquisadores e professores da Educação Infantil. Rev. Educ. Espec., v. 24, n. 41, p. 441-452, 2011.

GIROTO, C. R. M.; BERBERIAN, A. P.; SANTANA, A. P. Salud, Educación y Educación Especial: principios y paradigmas guías de las prácticas en salud en el contexto educativo inclusivo. In: GIROTO, C. R. M. et al. (Org.). Servicios de apoyo en Educación Especial: una mirada desde diferentes realidades. Alcalá de Henares/Espanha: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Alcalá de Henares, 2014, p. 115-138.

GUARRIDO, R. A Biologização da vida e algumas implicações do discurso médico sobre a educação. In: Conselho Regional de Psicologia/SP; Grupo Interinstitucional Queixa Escolar/SP. (Orgs.). Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doenças individuais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010; p. 27-40.

MARQUES, J. B. Os sentidos do não aprender na perspectiva de alunos do ensino fundamental I, professores e familiares. Araraquara, 2018, 154 f. Dissertação. (Mestrado em Educação Escolar). FCLAr - UNESP, 2018.

MIOTELLO, V. A consciência que se alarga. In: GRUPO DE ESTUDOS DOS GÊNEROS DO DISCURSO – GEGe. Palavras e contrapalavras: constituindo o sujeito em alteração. São Calos, SP: Pedro & João Editores, 2014, p. 68-72.

MOYSÉS, M. A. A. A institucionalização invisível: crianças que não-aprendem-na-escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001.

MOYSÉS, M. A.; COLLARES, C. A. L. Dislexia e TDAH: uma análise a partir da ciência médica. In: Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (Org.). Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doença de indivíduos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010, p. 125-156.

MOYSÉS, M. A.; COLLARES, C. A. L. Medicalização: o obscurantismo reinventado. In: COLLARES, C.A.L.; MOYSÉS, M. A.; RIBEIRO, M. (Orgs): Novas capturas, antigos diagnósticos na era dos transtornos. São Paulo: Mercado de Letras, 2013. p.41- 64.

PARRAT-DAYAN, S. Trad. Silvia Beatriz Adoue e Augusto Juncal. Como enfrentar a indisciplina na escola. São Paulo: Contexto, 2012.

SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1991.

SMOLKA, A. L. B. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. 13 ed. São Paulo: Cortez. 2012.

TAMURA, A. L. H. Concepções de professores alfabetizadores sobre leitura: implicações na formação leitora de seus alunos. Marília, 2018, 128 f. Dissertação. (Mestrado em Educação). FFC - UNESP, 2018.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

VOLÓCHINOV, V. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Tradução, notas e glossário de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo. Ensaio introdutório de Sheila Grillo. São Paulo: Editora 34, 2017.

WELCH, G.; SCHWARTZ, L.; WOLOSHIN, S. O que está nos deixando doentes é uma epidemia de diagnósticos. Jornal do Cremesp, p. 12, fev. 2008. (texto publicado no The New York Times, em 02/01/2007; tradução de Daniel de Menezes Pereira).




DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v14iesp.1.12208



Direitos autorais 2019 Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação

 

Rev. Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, SP, Brasil, e-ISSN: 1982-5587

DOI Prefix: 10.21723/riaee

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.