Memórias do Batalhão de Lagoa: prática cultural das comunidades rurais do Sertão de Alagoas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v15i2.12775

Palavras-chave:

Prática cultural, Tradição, Memória, Sertão de Alagoas.

Resumo

Este texto enfatiza o Batalhão de Lagoa, que se caracterizava como uma prática cultural do sertanejo que agregava o cultivo do arroz nas lagoas formadas pelo Rio São Francisco, nas épocas em que as águas eram abundantes. É um recorte de uma pesquisa mais ampla, que utiliza a História oral (ALBERTI, 2008; BOSI, 1994), e integra o Núcleo de Memória da Educação de Jovens e Adultos. Neste recorte apresentamos a memória do referido Batalhão, por meio de narrativas memorialísticas advindas de fontes orais e visuais de um interlocutor, que testemunhou as práticas culturais do Batalhão de Lagoa; dentro das ações do Programa Mobral Cultural, desenvolvidas na zona rural do Município de Pão de Açúcar – sertão de Alagoas. As narrativas foram colhidas por meio de entrevistas e fotografias Cartier-Bresson (1971), Guran, (2011) e Leite (1993). Os dados mostraram que mesmo em meio à forte carga ideológica da Ditadura civil-militar do golpe de 1964, os sujeitos sertanejos agiram enquanto praticantes culturais, demonstrando a resistência das comunidades tradicionais na tentativa de conservarem seus costumes e tradições.

Biografia do Autor

Jailson Costa da Silva, Instituto Federal de Alagoas - IFAL

Professor do curso de licenciatura em Física do Instituto Federal de Alagoas (IFAL - Campus Piranhas), área: Formação de Professores. Doutor em Educação pela Universidade Federal de Alagoas - UFAL, com período sanduíche no Programa de Pós-graduação em Educação (PROPED) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Mestre em Educação pela UFAL (2013). Especialista em Inspeção e Coordenação Pedagógica. Possui graduação em pedagogia pela Universidade Estadual de Alagoas - UNEAL (2010). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação de jovens e Adultos, com atuação na formação de Educadores do PROJOVEM Urbano. Líder do Grupo Interdisciplinar de Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos (GIPEJA/IFAL/CNPq), Vice-líder do Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (MULTIEJA/UFAL/CNPq), membro do Grupo de Pesquisa Aprendizados ao longo da vida: sujeitos, políticas e processos educativos (ProPEd/UERJ/CNPq). Tem experiência docente na área de Educação de Jovens e Adultos (EJA), no Ensino Fundamental I e II e na Formação Docente em nível superior, como professor substituto do Centro de Educação (CEDU - UFAL - 2016-2017), com atuação na área de didática e práticas de ensino. Desenvolve pesquisas no campo da História e Política, sob os enfoques da História Oral e Memória.

Marinaide Lima de Queiroz Freitas, Universidade Federal de Alagoas

Pós-Doutora em Formação Docente pela Universidade do Porto, Portugal. Doutora em Linguística. Professora da Graduação em Pedagogia e da Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado em Educação Brasileira (Cedu/Ufal). Líder do Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (Multieja).

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Publicado

20/02/2020

Como Citar

SILVA, J. C. da; FREITAS, M. L. de Q. Memórias do Batalhão de Lagoa: prática cultural das comunidades rurais do Sertão de Alagoas. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 15, n. 2, p. 451–468, 2020. DOI: 10.21723/riaee.v15i2.12775. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/12775. Acesso em: 6 mar. 2021.

Edição

Seção

Artigos