“Nossa história de vida é construída a partir do nosso corpo”: a produção do corpo viado na docência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v15i3.13574

Palavras-chave:

(Auto)biografia, Corpo viado, Gênero, Docência.

Resumo

O artigo tem como objetivo analisar como são construídos os discursos de corpos viados em docentes gays que vivem no interior da Bahia. O estudo está ancorado na abordagem (auto)biográfica, que concebe a narrativa enquanto instrumento de produção de dados, uma vez que evidencia elementos da subjetividade do sujeito, sua trajetória de formação e experiências de vida. Com as narrativas selecionadas, analisa-se como o corpo viado é construído tendo como parâmetros os mecanismos instituídos pelas normas vigentes, pautadas na heteronormatividade. Assim, é possível inferir que corpos estranhos se constituem enquanto discurso e transgridem a norma. Demarcam fronteiras e se autodeclaram alforriados dos grilhões heteronormativos a que eram subjugados e, então, se impõem ao problematizarem questões considerados como não passíveis de discussão, propondo novas possibilidades de viver o gênero e as sexualidades a partir das diferenças.

Biografia do Autor

Pedro Paulo Souza Rios, Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Senhor do Bonfim – BA

Professor vinculado ao Colegiado de Pedagogia.

Alfrancio Ferreira Dias, Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão – SE

Professor do Programa de Pós-graduação em Educação – PPGED.

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Publicado

20/02/2020

Como Citar

RIOS, P. P. S.; DIAS, A. F. “Nossa história de vida é construída a partir do nosso corpo”: a produção do corpo viado na docência. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 15, n. 3, p. 1265–1283, 2020. DOI: 10.21723/riaee.v15i3.13574. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/13574. Acesso em: 26 fev. 2021.

Edição

Seção

Artigos