A metáfora da comunicação na compreensão do conceito de informação genética

Uma investigação da formação inicial de professores de Ciências e Biologia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.18375

Palavras-chave:

Ensino de Biologia, Ensino de Genética, Informação, Metáfora, Linguagem

Resumo

O conceito de informação genética é de relevância para a compreensão de problemas socioambientais, como organismos geneticamente modificados e terapia gênica. Levando em consideração a possibilidade de esse conceito causar distorções conceituais por metáfora na aprendizagem, objetivamos descrever quais são as concepções de informação genética de professores de Biologia em formação e como suas compreensões foram modificadas ao longo de reflexões científicas e filosóficas. Coletamos dados por meio de questionários, entrevistas em grupo e representações individuais. Identificamos que professores em formação compreendiam a informação genética em termos metafóricos, avançaram para uma rejeição completa da metáfora e atingiram um ponto de equilíbrio no encerramento, exibindo compreensões compatíveis com o conceito científico proposto, apesar de exibirem uma combinação de perfis conceituais. Propusemos critérios linguísticos para utilizar a metáfora no ensino e para identificar o uso denotativo do termo. Oferecemos um quadro de assertivas para diagnóstico de concepções e indicamos implicações didáticas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Matheus Ganiko-Dutra, Universidade Estadual Paulista

Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência.

Beatriz Ceschim, Universidade Estadual de Santa Cruz

Docente na Área de Ensino de Biologia do Departamento de Ciências Biológicas. Doutorado em Educação para Ciência (UNESP).

Ana Maria de Andrade Caldeira, Universidade Estadual Paulista

Docente no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência. Doutorado em Educação (UNESP). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1C.

Referências

BARBIERI, M. Evolution of the genetic code: the ambiguity-reduction theory. BioSystems, v. 185, 104024, 2019. DOI: 10.1016/j.biosystems.2019.104024.

BERGSTROM, C. T.; ROSVALL, M. The transmission sense of information. Biology & Philosophy, v. 26, p. 159-176, 2011.

BUCKLAND, M. K. Information as thing. JASIST, v. 42, n. 5, p. 351-360, 1991. DOI: 10.1002/(SICI)1097-4571(199106)42:5%3C351::AID-ASI5%3E3.0.CO;2-3.

CAPURRO, R.; HJORLAND, B. O conceito de informação. Tradução: CARDOSO, Ana Maria Pereira; FERREIRA, Maria da Glória Achtschin; AZEVEDO, Marco Antônio de. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12, n. 1, p. 148-207, 2007.

CARVALHO, Í. N. de; EL-HANI, C. N.; NUNES-NETO, N. How Should We Select Conceptual Content for Biology High School Curricula? Science & Education, v. 29, p. 513-547, 2020. DOI: 10.1007/s11191-020-00115-9.

CESCHIM, B.; GANIKO-DUTRA; M.; CALDEIRA, A. M. de A. Relação pensamento-linguagem e as Distorções Conceituais no Ensino de Biologia. Ciência & Educação, v. 26, e20068, 2020. DOI: 10.1590/1516-731320200068.

EVANS, V.; GREEN, M. Cognitive linguistics: An introduction. New York: Routledge, 2006.

GANIKO-DUTRA, M. Relação pensamento-linguagem e distorções conceituais no uso de termos informacionais na Biologia Molecular e Genética. 2021. 135 f. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência) – Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, SP, 2021.

GANIKO-DUTRA; M.; CALDEIRA, A. M. de A. Relação pensamento-linguagem na compreensão do conceito de “informação” na formação inicial em Ciências Biológicas. In: ENCUENTRO IBEROAMERICANA DE EDUCACIÓN (EIDE), 16., 2022, Santiago.

GLYNN, S. M. The Teaching with Analogies Model. In: MUTH, K. D. Children’s Comprehension of Text. Newark: International Reading Association, 2007. p. 185-204.

GODFREY-SMITH, P. Information in Biology. In: HULL, D. L.; RUSE, M. The Cambridge Guide to the Philosophy of Biology. Cambridge: Cambridge Univesity Press, 2008. p. 103-119.

GODFREY-SMITH, P. Senders, receivers and genetic information: comments on Bergstrom and Rosvall. Biology & Philosophy, v. 26, p. 177-181, 2011.

KOONIN, E. V. The meaning of biological information. Philosophical Transactions of The Royal Society A, v. 374, n. 2063, 2016. DOI: 10.1098/rsta.2015.0065.

LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metaphors we live by. London: University of Chicago Press, 2003.

LEVY, A. Information in Biology: A Fictionalist Account. NÔUS, v. 45, n. 4, p. 640-657, 2011.

MACLAURIN, J. Commentary on "The transmission sense of information" by Carl T. Bergstrom and Martin Rosvall. Biology & Philosophy, v. 26, p. 191-194, 2011.

MATURANA, H. R.; VARELA, F. J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001.

MAYNARD-SMITH, J. The concept of Information in Biology. Philosophy of Science, v. 67, n. 2, p. 177-194, 2000.

MORTIMER, E. F.; SCOTT, P.; EL-HANI, Charbel N. Bases teóricas e epistemológicas da abordagem dos perfis conceituais. Tecné, Episteme y Didaxis, n. 30, p. 111-128, 2011.

PATTON, M. Q. Qualitative Research & Evaluation Methods. 3. ed. Thousand Oaks: Sage Publications, 2002.

PLANER, R. J. Replacement of the "genetic program" program. Biology & Philosophy, v. 29, p. 33-53, 2014.

RICARDO, E. C. Educação CTSA: obstáculos e possibilidades para sua implementação no contexto escolar. Ciência & Ensino, v. 1, n. esp., 2007.

SANTOS, W. L. P. dos; MORTIMER, E. F. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S (Ciência – Tecnologia – Sociedade) no contexto da educação brasileira. Revista Ensaio, v. 2, n. 2, p. 110-132, 2000.

SASSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. de. Alfabetização científica: uma revisão bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências, v. 16, n. 1, p 59-77, 2011.

SCHEINER, S. M. Toward a Conceptual Framework for Biology. The Quaterly Review of Biology, v. 5, n. 3, p. 293-318, 2010.

SHANNON, C. E. A Mathematical Theory of Communication. The Bell System Technical Journal, v. 27, n. 3, p. 379-423, 1948.

SHEA, N. Representation in the genome and in other inheritance systems. Biology & Philosophy, v. 22, p. 313-331, 2007.

SHEA, N. What's transmitted? Inherited information. Biology & Philosophy, v. 26, p. 183-189, 2011.

SHULMAN, L. S. Those Who Understand: Knowledge Growth in Teaching. Educational Researcher, v. 15, n. 2, p. 4-14, 1986.

STEGMANN, U. E. On the 'transmission sense of information'. Biology & Philosophy, v. 28, p. 141-144, 2014.

STEGMANN, U. E. The arbitrariness of the genetic code. Biology & Philosophy, v. 19, n. 2, p. 205-222, 2004.

TAYLOR, P. C. Contemporary Qualitative Research. In: LEDERMAN, Norman G.; ABELL, Sandra K. Handbook of Research on Science Education: Volume II. Nova York: Routledge, 2014. p. 38-54.

VYGOTSKY, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

WANDERSEE, J. H.; FISHER, K. M.; MOODY, D. E. The Nature of Biology Knowledge. In: FISHER, K. M.; WANDERSEE, J. H.; MOODY, D. E. Mapping Biology Knowledge. Boston: Kluwer Academic Publishers, 2000. p. 25-38.

WILLIAMS, G. C. Natural Selection: Domais, levels and Challenges. New York: Oxford University Press, 1992.

WINDSCHITL, M.; THOMPSON, J.; BRAATEN, M. Talk as a Tool for Learning. In: WINDSCHITL, M.; THOMPSON, J.; BRAATEN, M. Ambitious Science Teaching. Cambridge: Harvard Education Press, 2018. p. 39-64.

Publicado

17/10/2023

Como Citar

GANIKO-DUTRA, M.; CESCHIM, B.; CALDEIRA, A. M. de A. A metáfora da comunicação na compreensão do conceito de informação genética: Uma investigação da formação inicial de professores de Ciências e Biologia. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, p. e023096, 2023. DOI: 10.21723/riaee.v18i00.18375. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/18375. Acesso em: 19 maio. 2024.

Edição

Seção

Artigos teóricos